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Beto Barata/AE
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Genoino assume vaga na Câmara e diz ter 'consciência serena dos inocentes'

Ex-presidente do PT condenado a 6 anos e 11 meses de prisão por envolvimento no mensalão se diz confortável ao voltar para seu sétimo mandato no Congresso

Denise Madueño e Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2013 | 02h07

BRASÍLIA - Condenado a 6 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão, José Genoino assumiu nessa quinta-feira, 3, seu sétimo mandato na Câmara. O ex-presidente do PT disse ter a "consciência serena dos inocentes". "A verdade mais cedo ou mais tarde aparecerá", disse o agora deputado.

Depois da cerimônia de posse dos suplentes que assumem vagas de parlamentares que se tornaram prefeitos ou secretários municipais, Genoino afirmou se sentir "confortável" e negou que estivesse afrontando o Supremo. "Estou cumprindo as regras, a Constituição e as normas do País. Fui eleito com 92.326 votos e estou no dever legal, correto e justo de cumprir a Constituição brasileira", disse o petista, que tomou posse na vaga de Carlinhos Almeida (PT-SP), prefeito de São José dos Campos.

Cauteloso, Genoino evitou a polêmica sobre a quem cabe o poder de cassar o mandato dos condenados no processo: ao Supremo, como decidiu a Corte, ou ao plenário da Câmara, como defende o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS). "Não darei motivo nem serei motivo para qualquer crise entre os Poderes. Respeito os Poderes constituídos independentemente de concordar ou não com a decisão", afirmou.

Sem saber por quanto tempo poderá ficar no cargo, Genoino disse que atuará na Câmara como nos seis mandatos anteriores. "Exercerei o mandato a cada dia", disse. O Supremo ainda precisa publicar a decisão do julgamento, o chamado acórdão, para que as defesas possam entrar com recursos. Só depois de analisadas as contestações dos advogados é que o caso estará transitado em julgado, ou seja, será de fato concluído. A partir daí, as penas serão executadas. Como foi condenado a menos de 8 anos, Genoino poderá cumprir a pena em regime semiaberto, no qual precisa apenas dormir na prisão.

"Serei um deputado de debates, de ideias, de plenário. Atuarei na defesa do PT e dos governos Lula e Dilma", disse Genoino ao tomar posse.

Outros 15 deputados assumiram uma cadeira pela primeira vez na atual legislatura. Humberto Souto (PPS-MG) já havia chegado à Casa em dezembro. Há ainda 11 nomes que vão assumir o cargo (veja quadro ao lado).

A posse dessa quinta ocorreu no gabinete da presidência da Câmara. Comandada pelo primeiro-secretário da Casa, Eduardo Gomes (PSDB-TO), a cerimônia foi restrita aos deputados, parentes e assessores. Ao assumir o mandato, Genoino foi aplaudido por seus novos colegas de parlamento. Ele estava acompanhado da filha Mariana e do genro.

"Conheci os dois lados da política: o da poesia e o do sangue. O lado do sangue está devidamente exposto", disse Genoino. "As noites, às vezes, são longas. Mas a minha paciência é mais longa que os momentos de escuridão."

Genoino não respondeu perguntas sobre o processo do mensalão - disse que seu advogado fala sobre o assunto. Na entrevista, o deputado estava acompanhado de uma tropa de choque formada pelo novo líder do PT na Câmara e irmão de Genoino, José Guimarães (CE), e pelos deputados petistas José Mentor (SP), Ricardo Berzoini (SP) e Sibá Machado (AC), além de funcionários da liderança e militantes.

Na entrevista, Genoino disse que a posse no recesso parlamentar tem respaldo legal e que a direção da Câmara é que tem de ser questionada sobre a moralidade do ato - os novos deputados vão receber pelo mês de janeiro sem precisar trabalhar.

O líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que a posse de Genoino prejudica a imagem do Legislativo. "Ele foi condenado e não há como negar que há um desgaste para o parlamento brasileiro."

Novos nomes

- Já empossados:

Anselmo de Jesus (PT-RO)

Bernardino de Oliveira (PRB-PR)

Colbert Martins (PMDB-BA)

Eurico Junior (PV-RJ)

Fábio de Almeida (PMDB-SE)

Francisco Tenório (PMN-AL)

Humberto Souto (PPS-MG)

Iara Bernardi (PT-SP)

José Genoino (PT-SP)

Luiz Barbosa de Deus (DEM-BA)

Manuel Rosa da Silva (PR-RJ)

Margarida Salomão (PT-MG)

Nilmário Miranda (PT-MG)

Osvaldo Reis (PMDB-TO)

Paulo Fernando (PT-AL)

Renato Andrade (PP-MG)

Urzeni da Rocha Filho (PSDB-RR)

- Ainda vão tomar posse:

Camilo Cola (PMDB-ES)

Carlos Roberto (PSDB-SP)

Deley (PSC-RJ)

Dr. Carlos Alberto (PMN-RJ)

Dr. Ubiali (PSB-SP)

Major Fábio (DEM-PB)

Dudimar Paxiuba (PSDB-PA)

Simplício Araújo (PPS-MA)

Mario Feitoza (PMDB-CE)

Vitor Penido (DEM -MG)

Weverton Rocha (PDT-MA)

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