Bruno Magalhçaes/Imprensa MG
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Gastos com sede do governo pautam discussão de pré-candidatos ao Executivo de Minas

Manutenção da Cidade Administrativa é criticada, mas candidatos não cogitam venda de complexo

Jonathas Cotrim, O Estado de S. Paulo

25 Junho 2018 | 05h00

BELO HORIZONTE - Em meio à grave crise financeira no governo de Minas Gerais, a construção e os gastos com a manutenção da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves – complexo de edifícios que concentra todas as secretarias da administração estadual, inaugurado em 2010 pelo então governador Aécio Neves (PSDB) – entraram na pauta de discussão dos pré-candidatos ao Executivo estadual. Desde a sua abertura, o local consumiu dos cofres públicos mais de R$ 603,3 milhões.

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Ouvidos pelo Estado, a maioria dos pré-candidatos ao governo mineiro se mostrou crítica à construção da nova sede. Não cogitam, porém, vender o empreendimento, mas estudar meios de reduzir seus gastos. 

O pré-candidato do PSB, Márcio Lacerda, criticou os gastos com a Cidade Administrativa, mas disse que vender a sede não constará entre as propostas de campanha. “O que faremos é uma profunda avaliação das finanças do Estado no sentido de reduzir gastos, cortar cargos comissionados, enxugar e desburocratizar a máquina pública.”

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Rodrigo Pacheco (DEM) salientou que, certa ou errada, a Cidade Administrativa é uma realidade e que é preciso que ela cumpra o seu propósito. Para ele, a plena ocupação do complexo economizaria recursos.

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João Batista Mares Guia (Rede) disse que a construção da nova sede foi um erro e que, inicialmente, discutirá a questão da venda. “Se pudesse, no futuro, transformar aquilo em um grande centro empresarial e, em troca, os empresários investissem em um centro administrativo na região central, essa seria uma boa troca”, afirmou.

A pré-candidata do PSOL, Dirlene Marques, ressaltou que a nova sede foi construída sem a participação dos trabalhadores que iriam atuar no local, mas disse que seria um equívoco falar em venda. “Se tem a estrutura, é preciso criar as condições para que de fato ela possa atender aquilo que foi o projeto, que era de criar mais dinâmica, possibilitar economia e agilizar os serviço.”

Já Romeu Zema (Novo) destacou que a ideia de ter toda a estrutura de governo em um só lugar o agrada. “Você ganha sinergia e eficiência quando está todo mundo junto e não pulverizado em vários prédios.”

Suspeita

A Cidade Administrativa entrou na mira Justiça após delatores da Operação Lava Jato declararem que o ex-governador Aécio Neves (PSDB) teria recebido propina da Odebrecht durante a construção do complexo, iniciada em 2007. De acordo com as delações, o senador teria recebido 3% do valor total da obra de construção. A construtora faturou cerca de R$ 90 milhões pela participação na obra. Aécio nega a acusação.    

Em junho, o processo foi encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), após o STF restringir o foro privilegiado para deputados e senadores a delitos cometidos durante o mandato. O processo corre em segredo de Justiça e o TJ solicitou novas investigações. 

 

'Racionalidade'

Segundo governador a utilizar a Cidade Administrativa, o atual senador e pré-candidato ao governo mineiro pelo PSDB, Antonio Anastasia, defendeu a construção da nova sede, argumentando que ela foi feita dentro de um projeto de gerar maior economia e “racionalidade administrativa”. “Aquilo não tem nada de elefante branco. Funciona perfeitamente. Claro que temos dificuldades de transporte, mas não é só Belo Horizonte que tem isso.”

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Desde que assumiu o governo, Fernando Pimentel (PT) – pré-candidato à reeleição – tenta controlar os gastos que a Cidade Administrativa gera aos cofres do Estado, que em 2016 decretou “estado de calamidade financeira”. Mensalmente, o complexo consome R$ 9 milhões em despesas como iluminação, limpeza, serviços terceirizados e segurança. Desde o primeiro ano de mandato, porém, o petista despacha no Palácio da Liberdade, a tradicional sede do Executivo mineiro. 

No começo de 2018, Pimentel anunciou que desativaria o Palácio Tiradentes, que concentra na Cidade Administrativa as secretarias de Governo, Casa Civil e Relações Institucionais e o gabinete militar do governador. Com a medida, o governo tinha a expectativa de reduzir em até 40% os gastos com o prédio.

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Outra medida levada adiante pelo governador foi um projeto que visava a criação de um fundo imobiliário, que possibilitaria a divisão em cotas da nova sede administrativa. A expectativa do governo era conseguir arrecadar R$ 4 bilhões com a medida, que foi aprovada na Assembleia Legislativa no ano passado. Procurado para comentar o fundo imobiliário, o governo não se manifestou. 

O atual vice-governador, Antônio Andrade, o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes, e o deputado Leonardo Quintão, pré-candidatos do MDB, não informaram suas propostas para a Cidade Administrativa.

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