Gabinete de Afif funcionará em prédio do Exército

Pressão para comandos militares deixarem as áreas que ocupam hoje na Esplanada cresce na medida em que presidentes aumentam o número de ministérios

Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2013 | 02h07

Brasília - O ministro da recém-criada Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos (PSD), vai montar seu gabinete de trabalho em metade de um andar do prédio até então ocupado pelo Comando do Exército, na Esplanada dos Ministérios. Afif tomou posse na última quinta-feira, na 39.ª pasta criada pelo governo Dilma Rousseff.

Desde o início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva há uma pressão para que os comandos militares cedam espaço na Esplanada, onde ocupam atualmente quatro dos 19 prédios existentes.

A pressão tem crescido porque a cada ano aumenta o número de pastas criadas para acomodar aliados políticos da presidente. Lula recebeu 26 ministérios de Fernando Henrique Cardoso, mas entregou 37 à presidente Dilma, que ampliou este número e acaba de contemplar o PSD com o 39.º ministério. A criação da nova pasta garantirá à petista, no projeto de reeleição, 1 minuto e 39 segundos de tempo de TV no programa eleitoral do ano que vem.

A nomeação de Afif como ministro causou polêmica porque ele permanecerá no cargo de vice-governador de São Paulo, Estado administrado pelo tucano Geraldo Alckmin.

O Comando do Exército foi o primeiro a abrir espaço aos civis em suas instalações. Cedeu um andar para a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), em 2007, quando o então ministro Roberto Mangabeira Unger assumiu o posto.

Segundo o Exército, no segundo semestre deste ano tanto o prédio principal quanto o anexo estarão desocupados pela Força. O Ministério do Planejamento, a quem a Secretaria de Patrimônio da União - que controla os imóveis da União - está vinculada, informou que ainda não há definição de que outros órgãos poderão migrar para a área ocupada por militares.

O inchaço da máquina pública desde o início do governo petista tem levado o governo a gastar milhões com aluguéis de imóveis para acomodar os novos inquilinos.

A desocupação de prédios dos comandos militares não vai parar por aí. Antigos ministérios - e hoje comandos da Aeronáutica e da Marinha - também terão novas sedes fora da Esplanada. A atual ocupação militar na Esplanada é herança dos tempos em que, em vez da Defesa, havia as pastas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Há quase 14 anos foi criada a pasta da Defesa, mas os comandantes das três Forças, apesar de terem perdido o status de ministro, continuaram na Esplanada.

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