Gabeira e Paes partem para o ataque em debate no Rio

Candidato do PV tentou ligar Paes a problemas de Sérgio Cabral, seu padrinho político; ele reagiu às críticas

ALEXANDRE RODRIGUES, Agencia Estado

09 de outubro de 2008 | 16h58

Incentivado pela pesquisa Datafolha, que indica empate técnico nas intenções de voto no segundo turno do Rio de Janeiro, o candidato do PV, Fernando Gabeira, surpreendeu nesta quinta-feira, 9,  o adversário Eduardo Paes (PMDB) ao partir para o ataque em debate promovido pelo jornal O Globo. Apesar do clima de cordialidade, Gabeira foi mais agressivo logo no início ao demarcar diferenças entre ele e o peemedebista, tentando ligar Paes aos problemas da gestão do governador Sérgio Cabral (PMDB), padrinho político da candidatura do adversário. Paes não deixou por menos e reagiu. Veja Também:DEM fecha apoio e Gabeira diz que partido é 'bem-vindo'Especial: Perfil dos candidatos no Rio  Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições O candidato do PMDB cobrou de Gabeira a aliança política com o PSDB e o apoio declarado pelo prefeito da capital fluminense Cesar Maia (DEM). "Todos que me apoiarem ou vierem a me apoiar, não serão escondidos. Vou fazer as coisas às claras", disse o candidato da coligação "Unidos pelo Rio" (PMDB-PP-PSL-PTB), alfinetando Gabeira. Questionando a tese do rival de que aceitará apoios políticos sem negociar cargos na futura administração, Paes disse que o deputado indicou Alfredo Sirkis para a pasta de Urbanismo no governo de Maia. "Não aceita nomeação, mas nomeia."Gabeira disse que não esconde seus aliados, mas tentou amenizar a preferência do prefeito por ele classificando-a como um "apoio espontâneo", que ele não buscou, e afirmou que Maia não participará de sua campanha. No entanto, o candidato da coligação "Frente Carioca" (PV-PSDB-PPS) disse que poderá contar com a "memória" do prefeito e de outros ex-ocupantes do cargo para aconselhá-lo em seu mandato. Indagado por jornalistas como lidará com o eventual apoio do candidato derrotado da coligação "Vamos Arrumar o Rio" (PR-PSDC-PRTB-PRB), Marcelo Crivella (PRB), Paes preferiu não responder, alegando que não havia nada definido com o partido do senador. Na saída, Paes reclamou do tom do adversário. "Em geral quem ataca é quem não tem muito o que dizer, não tem propostas para apresentar", afirmou. "Não dá para brincar com isso (problemas da cidade), nem achar engraçado. Isso é muito sério e vamos trabalhar para mudar esse quadro." ''Franco-atirador''Gabeira recusou a imagem de franco-atirador ou debochado. "Quando se chega ao ponto de não aceitar o humor, é porque a situação é muito difícil. É impossível num debate no Rio, com todos os temas que nós temos, sem um pouco de humor. Até o Obama e o McCain fazem humor, porque não podemos fazer?", disse Gabeira, em referência aos dois concorrentes pela Presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. Gabeira comemorou os números do Datafolha, que o coloca à frente de Eduardo Paes pela primeira vez, com 43%, em empate técnico com o adversário, que teve 41% das intenções de voto dos eleitores do Rio. Paes afirmou que não gosta de comentar pesquisas e prometeu intensificar a campanha nas ruas.

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