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Fuga da raia

O lugar comum pode não ser a forma mais sofisticada de se expressar um pensamento, mas às vezes é a maneira mais simples de se traduzir uma situação.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h05

Enquadra-se na definição a frase feita: contra fatos não há argumentos. Não tem passado dia sem que um ministro, um petista proeminente ou até mesmo a presidente da República e seu mentor e antecessor recorram a adjetivos para responder a questões substantivas.

Realmente é mais fácil desqualificar a crítica, ou os críticos, que enfrentar o debate qualificado decorrente de uma contra-argumentação racional, lógica, bem embasada, capaz de convencer o interlocutor sobre o possível equívoco de seu raciocínio, substituir a narrativa adversa por versão mais favorável, porém convincente.

O murro mais forte na ponta de faca foi a reação às condenações dos mensaleiros: punhos cerrados ao alto, gritos de "farsa", reivindicação do status de presos políticos para os políticos presos. Para nada.

Efeito muito mais positivo para o partido teria sido uma boa autocrítica e a retomada do compromisso com a correção de condutas. Mas os petistas preferiram desmoralizar a ética, transformando sua antiga bandeira em coisa de golpista.

Os protestos de junho foram vistos como um sinal de "ingratidão" por parte dos brasileiros que, nas palavras do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, tantas benesses recebeu do governo. Gente que não sabe reconhecer o bem.

É o caso, no dizer da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann, do governador Eduardo Campos. Um "ingrato" que recebeu verbas (de propriedade pública, diga-se) e apoio do governo federal e ousou buscar caminho próprio na política.

Por que não se debruçar sobre as razões pelas quais as pessoas saíram às ruas para cobrar melhorias nos serviços públicos? Ou examinar com racionalidade os motivos que levam um político e um partido a tentar alcançar o que o PT procurou e achou? Por acaso por isso merecem ser chamados de caras de pau?

Chegamos, assim, às insatisfações do empresariado. São reclamações objetivas, postas ponto a ponto, em arrazoados de clareza meridiana. Se eles estão errados, que sejam contestados igualmente ponto a ponto.

Mas, não. Para o governo são críticas inválidas por eleitoralmente engajadas ou frutos de um pessimismo injustificado (por esporte?).

O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, chegou ao ápice do desdém ao dizer que o empresariado faz "beicinho". Segundo ele, assim "não dá". De fato não dá. Governo que se preza presta contas e não foge da raia com gracinhas.

Cobiçado. O governador Eduardo Campos não é o único a desejar o reforço de uma candidatura de Joaquim Barbosa ao Senado pelo Rio de Janeiro, caso o ministro deixe o Supremo Tribunal Federal até 5 de abril a tempo de concorrer.

O senador Aécio Neves tem o mesmo anseio. Com uma diferença: Campos gostaria de ver Barbosa filiado ao PSB e Aécio acha que não seria indispensável a filiação ao PSDB.

Um gesto de simpatia à candidatura presidencial já seria ótimo no entendimento do tucano que, aliás, manteve desde o ano passado dois ou três encontros com o ministro para conversar sobre política.

Como tese geral. Sem referência a convites.

Ardida. Um amigo do peito do ex-presidente Luiz Inácio da Silva constata. Ele tem hoje duas preocupações: a economia e o temperamento de Dilma.

Mas Lula já não conhecia o gênio dela quando a escolheu como sucessora?

"Sim, mas na posição de subordinada era uma coisa. Como chefe é outra bem diferente."

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