Friedenbach diz que redução da maioridade não resolve violência entre jovens

Vereador eleito defende estágio de um mês na Fundação Casa para aluno que comete agressão contra o professor de escola pública

Cristiane Salgado Nunes - O Estado de S. Paulo,

19 de outubro de 2012 | 17h33

O vereador eleito Ari Friedenbach (PPS) disse nesta sexta-feira, 19, que a redução da maioridade penal não resolve a questão da violência entre os jovens. Apesar de ter sofrido em 2003 com o assassinato de sua filha Liana, de 16 anos, caso em que houve a participação de um menor, ele acha que a medida é ineficaz já que estimularia os criminosos a recrutar adolescentes ainda mais novos. "Sou contra. Seria um debate muito longo com resultado zero, porque precisaria fazer uma nova Constituição para a redução da maioridade", explicou ele em entrevista à TV Estadão.

No caso de sua filha, o vereador acredita que justiça foi feita e conta que o assassino menor de idade, Champinha, cumpriu os três anos na Fundação Casa, mas foi considerado um psicopata e, por isso, interditado civilmente. "Não quero ver nenhum deles, espero não olhar na cara dessas pessoas, porque não vai me fazer bem e não vai me acrescentar em nada".

Friedenbach explicou que sua empreitada na política não tem a ver com sentimento de vingança, pois dessa forma se igualaria aos assassinos de Liana. "Eu seria tão lixo como eles. Sempre procurei agir de uma forma racional para poder mudar a sociedade", comentou. O vereador eleito afirmou que uma de suas preocupações abrange a violência nas escolas, cuja uma das causas seria a ausência da imposição de limites aos jovens. "Eles agridem o professor e ainda filmam e colocam no YouTube".

Como solução, Friedenbach apontou que o estágio de um mês na Fundação Casa para o aluno que comete agressão ao professor seria educativo. O vereador disse ainda que é importante aumentar as horas diárias que os jovens passam dentro da instituição, acrescentando cursos de dança, teatro e esportes.

Para assegurar a segurança nas escolas públicas, ele se disse a favor da ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Temos que ter no mínimo um guarda nas escolas. Ele vai intimidar o tráfico, a violência e o estupro".

Questionado se vai trabalhar em conjunto com a dita "bancada da segurança", vereador respondeu que é importante o trabalho em união e com visões diferentes. Além de Friedenbach, o vereador eleito Masataka Ota (PSB) também perdeu seu filho, vítima de um crime brutal em 1997.

Kassab. Avaliando a atual gestão de São Paulo, Friedenbach afirmou que prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi melhor nos seus primeiros anos à frente da Prefeitura. "Algumas medidas foram boas, mas a gestão de Kassab poderia ter sido melhor". Para ele, o projeto Cidade Limpa foi uma medida positiva, que deixou a cidade com um visual melhor. Ele, porém, julgou que as prioridades para o próximo prefeito devem ser o transporte público, para "desafogar o trânsito", e o "desenvolvimento das periferias", para levar o emprego mais perto das moradias.

Apesar de seu partido (PPS) apoiar o candidato do PSDB, cujo candidato à Prefeitura é José Serra, Friedenbach avaliou que não haverá problemas se Fernando Haddad (PT) ganhar as eleições. Ele ainda condenou a posição partidarista de políticos que não pensam na cidade como finalidade prioritária.

Entrevistados. A série da TV Estadão convidou dez dos novos vereadores com maior número de votos. O mais votado, Roberto Tripoli (PV), recusou o convite. Ricardo Young, mais votado pelo PPS, também foi convidado, mas não vai participar por estar fora de São Paulo. Já foram entrevistados Andrea Matarazzo (PSDB), Conte Lopes (PTB) e Nabil Bonduki (PT).

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