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Frente pela alternância

Apesar de não constituir novidade, é do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a manifestação mais contundente do espírito que orienta as candidaturas de oposição em 2014: a vitória, claro, é a meta, porém mais importante a cada uma é encerrar o ciclo petista de poder.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2013 | 02h09

É o que empresta naturalidade a uma declaração favorável ao rival Eduardo Campos, pelo maior líder tucano, que em circunstâncias normais teria caráter herético. "Não seria nenhuma tragédia", disse ao jornalista Kennedy Alencar, referindo-se à possibilidade de o governador de Pernambuco superar o senador Aécio Neves e se impor com o candidato da oposição no segundo turno.

Esse desprendimento é um aceno à aliança entre PSDB e PSB, rivais agora, mas não adversários depois de conhecidos os números do primeiro turno, quando tentarão comandar uma frente contra a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição. É o que ficou claro também no evento de filiação de Marina Silva ao PSB ao colocar a alternância no poder como imperativo suficiente para contornar as contradições da aliança.

Ao reafirmar a candidatura de Aécio Neves e dar ao governador de Pernambuco tratamento de candidato consolidado, o ex-presidente também reflete a convicção geral no ambiente político de que os nomes já estão postos e não mudam. É com Aécio e Campos que o Planalto também trabalha sua estratégia.

Por extensão, no caso do PSDB, o raciocínio minimiza a importância do lançamento formal do senador mineiro - cuja antecipação é defendida por setores do partido -, para maximizar a necessidade de que atue como candidato.

Antecipar a formalização do que já está decidido ressuscitaria a divisão interna, enquanto atuar como candidato oferece o indispensável contraponto à movimentação da presidente da República, já em plena campanha no exercício do cargo, o que torna desigual a disputa nessa fase.

No caso da aliança de PSB e Rede, Fernando Henrique também é claro quanto à necessidade de crescimento de Campos, para compensar a eliminação de Marina pela Justiça Eleitoral.

Com quatro candidatos, o segundo turno seria certeza absoluta. Com três, é uma previsão, embora com probabilidade grande. Por isso, a necessidade de Campos "encorpar", como avaliou o ex-presidente, que leva à hipótese de ultrapassar Aécio.

Quanto à presidente Dilma, o índice de 38% é baixo para quem tenta a reeleição, principalmente se levada em conta a superexposição a que se deu direito no cargo e o desbotamento da economia.

Os riscos de Dilma são proporcionais à movimentação de Lula: quanto mais frenética esta, mais reais aqueles.  

 

Colaboração: Helayne Boaventura

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