JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h07

Nas reuniões com PMDB e PSB, a presidente Dilma Rousseff manifestou o desejo de reunir em Brasília, até o fim do ano, os prefeitos eleitos das capitais e grandes cidades para estreitar as relações do governo federal com as metrópoles. O gesto faz parte da estratégia de manter a unidade da base em 2014. Dilma acenou com capacitação dos gestores para firmar parcerias e ampliar a rede de programas federais nos municípios, com foco nas áreas de habitação, saúde, educação e segurança. Uma vitrine sedutora.

Na ponta do lápis

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem apresentado uma conta para provar que o PSB foi o aliado mais fiel ao PT nas eleições, apesar das rupturas em Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. Por ela, o PSB compôs 413 coligações como vice do PT, enquanto o PMDB foi parceiro, nestas condições, em 387. O PSB encabeçou a chapa, com apoio do PT, em 315 municípios. Em troca, o PT apoiou o PMDB na cabeça de chapa em 736 coligações.

Negócio fechado

Depois do jantar com a presidente Dilma Rousseff no Alvorada, segunda-feira, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reúne a bancada federal do partido para selar o apoio ao deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara. Levará a garantia de um ministério para o PSD , o que encerrará o flerte da bancada com a candidatura de Julio Delgado (PSB-MG), desautorizada, de resto, pela direção de seu próprio partido.

Por fim, o PDT

Na quinta-feira, foi a vez do prefeito eleito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT): escoltado pela ministra Gleisi Hoffmann, sua madrinha e pré-candidata ao governo estadual em 2014, obteve de Dilma a garantia de recursos para construção de creches, unidades de pronto-atendimento (UPAs) e moradias populares.

A rodada de conversas políticas promovida pela presidente Dilma Rousseff na última semana cumpre o objetivo de consolidar a aliança do mandato em curso, ampliá-la com a inclusão do PSD e manter o PSB ao seu lado. Da sucessão de encontros sai um desenho que isola o PSDB como adversário único na disputa presidencial de 2014.

Ao PMDB foram garantidas as presidências da Câmara e do Senado e admitido o ingresso de Gabriel Chalita na estrutura ministerial, já aumentada com a pasta de pequenas e médias empresas para abrigar o PSD. Ainda que pouco se saiba do encontro com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, parece correta a conclusão de que ele mantém sua expectativa de voo solo para 2018. O que torna o senador Aécio Neves o candidato da oposição.

Há duas indicações nessa direção: o acordo entre o governador e a presidente por investimentos estratégicos no Nordeste, com foco maior em Pernambuco, e a reivindicação precipitada do governador do Ceará, Cid Gomes, pela substituição de Michel Temer por Campos na chapa da reeleição em 2014.

A parceria sugere que o PSB alimenta a expectativa de ver seu presidente nacional candidato do governo em 2018, quando a impossibilidade de reeleição abrirá espaço a candidaturas alternativas e à inversão na cabeça de chapa, hoje inalienável ao PT.

Não há vitória de véspera, mas candidatos à reeleição, quando bem avaliados, criam a expectativa de poder que arrasta adesões.

É com esse trunfo que Dilma joga hoje seu xadrez, cujas peças são movidas pela mão do antecessor e mentor, Lula.

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