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Freixo usa episódio do chute na santa para atingir Crivella

Propaganda de candidato do PSOL à prefeitura do Rio reproduz cena do bispo Sérgio von Helde, então ligado à mesma igreja do candidato do PRB, golpeando imagem de Nossa Senhora Aparecida, 21 anos atrás

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 10h17

RIO - O chute na santa entrou na campanha eleitoral do Rio. Em mais um lance da tentativa de "desconstrução" da candidatura do adversário pelo PRB,  senador Marcelo Crivella, bispo licenciado na IURD, a campanha do candidato do PSOL à prefeitura carioca, Marcelo Freixo, passou a recordar o episódio, ocorrido há 21 anos e que atingiu duramente a Igreja Universal do Reino de Deus. A propaganda dos psolistas começou nesta sexta, 21, a veicular uma inserção  que reproduz as imagens do bispo da igreja Sérgio von Helde chutando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1995. A peça também reproduz uma gravação do senador cantando uma música em que supostamente debocha do caso, com uma foto do parlamentar. Um locutor, em off, pergunta: "Você quer isso para o Rio?"

A campanha de Freixo para tentar derreter Crivella começou depois que profissionais que trabalharam antes para o PMDB e o PSDB foram contratados pelo PSOL, conforme informou o Estado. Eles explicaram ao candidato do PSOL que, sem uma postura mais dura, não teria chances no segundo turno. A partir daí, a propaganda do PSOL abandonou o tom ameno e passou a atacar Crivella. O senador foi criticado por suas ligações com o ex-governador Anthony Garotinho, cujo partido integra sua coligação. O PSOL também o acusou de ser apoiado por milicianos , depois que Carminha Jerominho, filha de Jerônimo Guimarães, o Jerominho, afirmou apoiá-lo. Outras acusações foram ser intolerante com homossexuais e integrantes de outras religiões e de ter pregado o uso da fé para obter dinheiro de fiéis.

Após o início da campanha de desconstrução, as diferença entre as intenções de voto dos dois candidatos caiu nove pontos segundo pesquisa Ibope divulgada nessa quinta-feira, 20. A pesquisa mostra Crivella ainda na liderança, com 46%, e Freixo com 29%. Na sondagem anterior, a diferença era de 51% a 25%. A distância ainda é grande: 17  pontos pró-Crivella nos votos totais e 22 nos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos): 61% a 39%.

Contraponto. O senador, que se aproximou de personalidades com trânsito na esquerda e no samba para mudar a sua imagem, tem respondido que deu declarações infelizes no passado, quando era jovem, mas mudou e agora prega a tolerância e a liberdade. Ele acusou o adversário de manipulação e mentiras para tentar indispô-lo com setores do eleitorado. E contra-atacou: acusou Freixo de pretender abrigar o PT em seu eventual governo e chegou a afirmar que o psolista quer criar no Rio uma "república bolchevista via impostos". Também acusa Freixo de ter ligações com os black blocs e suas ações violentas.

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