Freixo propõe rever repasses para o carnaval do Rio

O candidato a prefeito do Rio Marcelo Freixo (PSOL) comprou briga com a cúpula das escolas de samba e abriu a primeira polêmica da eleição. Ele defendeu que a Secretaria de Cultura assuma o controle do carnaval e que só enredos com "contrapartida cultural" recebam verba pública.

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h04

Em entrevista à TV Globo, Freixo citou o caso do Salgueiro, que receberá patrocínio da revista Caras para o enredo Fama, no desfile do ano que vem. "Que sentido faz a prefeitura patrocinar um enredo sobre a Ilha de Caras?", questionou.

A presidente do Salgueiro, Regina Celi Fernandes, reagiu e lançará hoje, no ensaio da escola, um "Manifesto a favor da plena liberdade de expressão". Ela convidou todas as escolas a reforçarem o coro dos descontentes.

Freixo critica os enredos feitos para receber patrocínio privado. Ele ataca o atual sistema de administração e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), comandada por dirigentes das agremiações - alguns ligados ao jogo do bicho. Em 2012, cada escola recebeu R$ 1 milhão da prefeitura.

Ontem, Freixo pôs mais lenha na fogueira. Depois de negar que sua proposta seja uma forma de censura, propôs mudanças na venda de ingressos para o desfile e na escolha dos jurados, tarefas da Liesa. "Não aceito a pecha de censura. As escolas escolhem o enredo que quiserem", disse. "Qualquer edital da área de cultura que precisa de dinheiro público exige contrapartida cultural. Por que falar isso para as escolas de samba vira escândalo?"

A candidata Aspásia Camargo (PV) viu "censura prévia" na proposta e o tucano Otávio Leite disse ser "lamentável e autoritária". O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, amenizou a polêmica. Disse que o carnaval não pode "correr o risco de aventuras" e se disse à disposição de Freixo para esclarecer as dúvidas do candidato.

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