Freixo faz mea-culpa sobre atuação de black blocs em 2013

Candidato do PSOL à prefeitura do Rio diz que poderia ter sido 'enfático' no passado ao reprovar ação de grupo; Marcelo Crivella (PRB) usa tema em sua campanha contra adversário

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 11h42

RIO - O candidato à prefeitura do Rio Marcelo Freixo (PSOL) reconheceu que deveria ter sido enfático ao condenar a tática de violência adotada por grupos de manifestantes como os black blocs. Ele se referiu a uma fala dele, que vem sendo reproduzida pela campanha de seu adversário Marcelo Crivella (PRB), durante as manifestações de 2013, em que afirma não ser “juiz para ficar avaliando os métodos em si”. A frase é interpretada pelo senador como defesa da violência.

“Vou ser conivente com a violência? Não, porque nunca fui. Nenhum protesto tem de cometer crime. Nunca fui conivente com violência, porque não acredito na violência. Não é eficiente para ganhar nada”, disse nesta terça-feira, 25, em sabatina realizada pelo jornal O Globo. “Eu poderia ter sido enfático (ao reprovar os black blocs). Mas a repressão (policial) estava muito forte, havia uma tentativa de esvaziar os protestos. Muitas narrativas foram feitas da condenação do movimento a partir da violência. Eu não queria ser usado para dizer que todos os movimentos eram ruins. Havia uma disputa de narrativa. Não queria condenar todos os movimentos.”

Segundo Freixo, tanto a violência do Estado, que “estava despreparado” para enfrentar as manifestações de junho de 2013, quanto a dos black blocs atrapalharam a mobilização “legítima” da população por direitos e acabaram esvaziando o movimento.

Ainda de acordo com o candidato, a pessoa que gravou a entrevista com Freixo está processando Crivella por usar o vídeo em sua campanha. Ele havia sido perguntado se os black blocs deveriam ser expulsos de uma passeata de professores e sua resposta não dizia respeito ao quebra-quebra realizado na Assembleia Legislativa, como mostram as imagens veiculadas nas inserções de Crivella. “É uma manipulação. Meu adversário é mestre em fazer isso.”

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