Fraude em Campinas era para quitar dívida eleitoral

Delator diz em juízo que ex-primeira-dama da cidade chefiou esquema que levou à cassação de prefeito e vice em 2011

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h03

Delator do escândalo que derrubou prefeito e vice de Campinas (SP) no ano passado, Luiz Castrillon de Aquino declarou ontem em juízo que o suposto esquema de direcionamento de licitações, fraudes em contratos públicos e propina foi montado para pagamento de dívidas de campanha e era liderado pela ex-primeira-dama Rosely Santos, mulher do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT).

Primeiro dos 22 réus do processo a ser ouvido pela Justiça, Aquino afirmou que em todos os contratos da Sanasa (empresa de água de Campinas) havia cobrança de contribuições que variavam de 5% a 10% do faturamento das empresas. "Ficou claro que deveria se ter uma forma de resgate financeiro para que se pagasse uma dívida de campanha. Fomos cooptados pela dra. Rosely. O que se queria é que em todos os contratos da Sanasa tivesse um retorno, e isso é impossível", afirmou Aquino, que foi presidente da Sanasa no primeiro mandato de Dr. Hélio e depôs sob o benefício da delação premiada.

Segundo o delator, as propinas pagas pelas empresas envolvidas no esquema eram lançados na contabilidade da Sanasa como "pequenos". Questionado pelo Ministério Público, ele afirmou que mensalmente era feita a divisa de um "mensalinho" entre os envolvidos no esquema.

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