Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Formar base aliada na Câmara será desafio para novo presidente

Expectativa do Diap é de que o índice de renovação dos deputados federais seja um dos mais baixos da história da Casa

Camila Turtelli e Mariana Haubert, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2018 | 08h04

Com quase 80% dos atuais deputados federais tentando a reeleição, a nova Câmara que surgirá hoje das urnas deverá ter um dos menores índices de renovação de sua história, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Este índice, que beirou a metade em disputas anteriores, deve ser próximo dos 40% neste ano.

A exemplo do Senado, a atual correlação de forças entre os partidos também não deve ser alterada. PT, PP, e MDB dominarão a maior parte das cadeiras nos próximos anos.

De acordo com um estudo da consultoria Arko Advice, as bancadas destes três partidos devem variar de 40 a 60 deputados cada uma. Eles deverão ser seguidos por PSD, PR e DEM, com bancadas de cerca de 50 parlamentares cada. Já PSB, PRB, e PDT deverão eleger entre 20 e 30 deputados. Neste grupo está também o PSL, partido do candidato à Presidência Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Impulsionado pelo capitão da reserva, o partido poderá até triplicar de tamanho, segundo as perspectivas dos analistas.

Enquanto isso, legendas consideradas nanicas têm como desafio superar a inédita cláusula de barreira, de 1,5% do total dos votos válidos em ao menos 9 Estados, para manter suas contas abastecidas com verba do fundo partidário e direito ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.

Agenda de propostas e reformas será mantida

As análises também projetam que a atual agenda de propostas pautadas seja mantida, com prioridade às reformas da Previdência e tributária. Apesar da composição partidária da Câmara permanecer semelhante à de hoje, na avaliação de especialistas e consultores, a Casa deverá acentuar um perfil mais conservador, alinhado a agendas da centro-direita.

“Nosso Congresso tem uma vocação governista, não gosta de ser oposição”, afirmou o cientista político da Arko Advice, Cristiano Noronha.

Com essa tradição, a tendência é que o ocupante do Palácio do Planalto tenha maioria no início dos trabalhos em 2019 e que a continuidade disso dependa da habilidade política do próximo presidente.

Avaliação semelhante tem o cientista político e sócio da Tendência Consultoria, Rafael Cortêz, para quem um dos principais desafios a serem enfrentados pelo próximo presidente da República será administrar esta base aliada no Congresso.

“Independentemente de quem ganhar, haverá a necessidade de construção de uma reputação política. A política demanda reputação. E o próximo presidente terá que saber qual agenda poderá negociar com o Congresso para que seu apoio continue existindo. Porque quem chegar lá, chegará já com um capital político reduzido e a tendência é de que esse capital seja ainda mais volátil”, disse.

Nova Câmara vai perder nomes tradicioniais

Apesar de manter um quadro com poucas alterações, a nova Câmara vai perder alguns nomes tradicionais, como o decano Miro Teixeira (Rede-RJ), em seu 11.º mandato consecutivo, e Chico Alencar (PSOL-RJ), ambos concorrendo ao Senado neste ano.

“Vou ser substituído por forças jovens. Já cumpri meu papel aqui”, afirmou Alencar, que acredita que a sua legenda possa aumentar a bancada de seis deputados e chegar a 10 nomes. O deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, deve ser um dos principais puxadores de voto da legenda para a Câmara Federal.

Enquanto isso, outros nomes conhecidos da política nacional, como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do seu partido, tentam uma vaga na Câmara.

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