Força promete apoio à pré-candidatura de Campos ao Planalto

Declaração de dirigente foi feita a portas fechadas, na reunião em que sindicalistas discutiam a MP dos Portos com governador de Pernambuco

ANGELA LACERDA / RECIFE , O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h05

A direção da Força Sindical, segunda maior central do País, afirmou ontem que suas "portas estão abetas" para o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, caso ele queira se candidatar ao Planalto no ano que vem.

A declaração de apoio foi dada pelo secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, em encontro com o governador em seu gabinete, no Recife.

Os dirigentes da entidade se reuniram com Campos a fim de discutir a Medida Provisória 595, a chamada MP dos Portos.

A sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014, no entanto, permeou a conversa.

O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, disse em entrevista que a aliança com Campos pela mudança da MP pode se desdobrar em aliança política. Mas ele negou que o governador já esteja em pré-campanha. "Quem está fazendo campanha até agora é só a presidente Dilma", disse.

Paulinho convidou Campos para dar uma palestra sobre sua "forma de ver o Brasil" na tarde do dia 25 de março, durante reunião nacional da Força em São Paulo.

O deputado e sindicalista afirmou que um eventual apoio da Força não inclui uma aliança com o PDT. Segundo Paulinho, quem fala pelo partido é seu presidente nacional, o ex-ministro do governo Lula e Dilma Carlos Lupi.

Também em entrevista, Campos não comentou a discussão eleitoral feita na reunião. Preferiu criticar a antecipação do debate sucessório. "A antecipação deste debate acaba atrapalhando o andamento do País, deixando em segundo plano questões importantes para o País avançar", disse. "Estamos preocupados com os problemas que acontecem no Brasil hoje", afirmou, repetindo seu discurso dos últimos dias.

MP dos Portos. Campos criticou, durante a reunião a portas fechadas com dirigentes da central, "a falta de diálogo do governo federal" em relação à MP editada em seis de dezembro do ano passado com o alegado objetivo de combater a burocracia nos portos.

Hoje, por exemplo, as empresas que atuam na área precisam contratar trabalhadores avulsos, controlados pelos Órgãos Gestores de Mão de Obra (Ogmos), para desembarcar a bordo do navio e fazer a conferência da carga na embarcação e em terra. A MP acaba com essa obrigatoriedade, abrindo a possibilidade de as empresas contratarem celetistas.

O governador disse, na reunião, que, do jeito que está, a MP "traz total instabilidade" a Pernambuco, pois, segundo ele, o Porto de Suape poderá perder a autonomia da sua administração.

Depois da reunião, em entrevista, o governador afirmou que a MP precisa apenas de "ajustes". "Não tem disputa colocada", disse Campos. "É só questão de racionalidade". Sem repetir abertamente a crítica feita no encontro, ele observou que às vezes "se pode tomar uma atitude pensando que é a melhor do mundo e, por não ter ouvido uma ponderação, a gente pode errar". Em seguida, concluiu: "Quando se dispõe a ouvir, pode deixar de errar, somente isso".

Aliança. "Fizemos uma aliança importante", disse Paulinho, referindo-se à MP. Ele disse que a central sindical vai lutar pela reivindicação de Pernambuco, que é a manutenção da autonomia estadual, enquanto o governador vai orientar a bancada do PSB a lutar pelas reivindicações dos trabalhadores.

Greve. Paulinho garantiu que se o governo federal não atender aos trabalhadores - espera-se um acordo até o dia 15 - os portuários poderão paralisar todos os portos do Brasil, com uma greve por tempo indeterminado. "No nosso ponto de vista, do jeito que está a MP vai quebrar todo o sistema público em detrimento do setor privado e, com isso, os trabalhadores perderão direito", afirmou o parlamentar.

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