Força de novas siglas dura só até o prazo limite para filiações

O que aparenta ser a grande força dos dois partidos recém-criados - a capacidade de abrigar políticos de saída de outras legendas sem perder seus mandatos - é justamente sua maior fragilidade. PROS e Solidariedade viverão seus 15 minutos de fama até o dia 5 de outubro, data-limite para filiação de interessados em se candidatar em 2014. Mas a tendência é de que logo caiam na insignificância representativa, comum à maioria dos, agora, 32 partidos políticos existentes no País.

ANÁLISE: Caio Junqueira, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2013 | 02h23

O motivo é que, para ter algum lugar ao sol no complexo sistema partidário brasileiro, um partido precisa de ao menos três pré-requisitos: lideranças políticas, bases social e regional significativas e expectativa de poder. Os dois novos partidos não têm nada disso.

Toda a movimentação em torno deles decorre apenas de uma brecha legal que, se hoje lhes é favorável para atrair pré-candidatos, no futuro pode ser igualmente desfavorável para que essas mesmas pessoas deixem os partidos. Ganham e perdem peso ao sabor das circunstâncias.

Além disso, as futuras legendas nascem como satélites de outros partidos, tropa de apoio da oposição, no caso do Solidariedade, ou do governo, como PROS. Basta ver o que ocorreu com o último que, sob circunstâncias semelhantes, aventurou-se neste meio. Foi o Partido Ecológico Nacional (PEN), criado em 2012. Tem hoje apenas dois deputados. Um deles de saída para o novo Solidariedade.

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