Força de Garotinho no PR preocupa Planalto

Deputado, que não esconde discurso de oposição ao governo, é cotado para comandar bancada de 37 parlamentares; escolha seria retaliação do partido por perda de ministério

Tânia Monteiro e Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h02

Depois de abençoar o acordo que deverá dar as presidências da Câmara e do Senado ao PMDB, a presidente Dilma Rousseff monitora de perto a disputa pelas lideranças dos aliados. A principal preocupação é com o PR, que ameaça eleger o ex-governador Anthony Garotinho (RJ) para comandar uma bancada de 37 deputados federais. Há dez dias, Dilma esteve com o líder do PR, deputado Lincoln Portela (MG), para comunicar seu desconforto com a eventual eleição do ex-governador do Rio.

A eleição de Garotinho para a liderança é vista pelos aliados como um alerta de que o PR não engoliu, até hoje, seu afastamento do Ministério dos Transportes, em julho de 2011. Garotinho verbaliza esse descontentamento com um discurso de oposição que faz dele "uma pedra no sapato" do Planalto.

Integrantes do PR admitem que hoje Garotinho seria eleito facilmente para a liderança do partido, derrotando o paranaense Fernando Giacobo, também candidato ao cargo no dia 1º. Aliados de Garotinho afirmam, no entanto, que ele não faria uma oposição ferrenha ao Planalto.

Apoio. No Rio, o ex-governador disse ontem que tem apoio de 26 dos 35 deputados do partido e que "qualquer coisa diferente disso (ser escolhido o novo líder) pode ser considerada uma interferência externa na vontade da bancada". O deputado vai formalizar a candidatura no dia 28.

Pré-candidato ao governo do Rio e ferrenho adversário do governador Sérgio Cabral (PMDB), Garotinho disse ter identificado "interesses particulares" de políticos próximos à presidente Dilma e contrários à sua candidatura. No entanto, ele diz não enxergar nisso nenhuma ação direta de Dilma. "São questões regionais, particulares, não acho que a presidente possa ver em mim qualquer empecilho para o projeto de poder dela", afirmou.

Aliados da presidente têm dito que Garotinho na liderança do PR enfraquece o apoio do partido à reeleição de Dilma em 2014. Para o deputado, no entanto, o que está em jogo é um esforço para evitar que seu nome ganhe visibilidade para a futura disputa estadual: "Só pode ser medo do pessoal ligado a Lindbergh Farias". O senador Lindbergh é pré-candidato do PT ao governo do Estado e deverá enfrentar, além de Garotinho, o vice-governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), candidato de Cabral.

O ex-governador tem agido de forma independente no Congresso. Faz críticas ao governo, mas adverte: "Não vamos fazer oposição nem ser situação. A resposta virá de acordo com o modo como o governo tratar o partido." / COLABOROU EUGÊNIA LOPES

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