Foi arriscado, mas deu certo, afirma Marta sobre imposição de Haddad

Titular da Cultura havia sido preterida na disputa em favor de Haddad e só fez campanha depois de se tornar ministra

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h05

A ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), admitiu ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou ao indicar Fernando Haddad como candidato do partido a prefeito de São Paulo. Ela foi preterida da disputa e só entrou na campanha a partir de setembro, quando foi nomeada ministra pela presidente Dilma Rousseff. "Lula tem uma intuição política muito forte. O que ele fez foi extremamente arriscado, mas nas circunstâncias e no momento que o PT vive, foi o mais acertado", disse a ministra ao votar ontem, por volta das 12h20, no Colégio Madre Alix, no Jardim Paulistano.

Marta, que foi pré-candidata do PT, acha que o ex-ministro da Educação será um bom prefeito. Ela disse esperar "bom senso" de Haddad, ao ser questionada sobre uma possível aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab. "Ele precisa governar e vai saber fazer suas escolhas acertadas."

Acompanhada da neta e do namorado, Marcio Toledo, Marta também atacou o candidato José Serra (PSDB) e disse sentir um "sabor especial" pela derrota do tucano. "É por isso que eu queria tanto disputar, eu tinha as musiquinhas, os ataques dele em 2008 entalados na garganta. Mas, felizmente, o eleitor descobriu a pessoa que ele é."

Governo. Sobre as articulações no PT para tornar viável a candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para governador em 2014, Marta desconversou. "Isso é normal", disse. "Conjuntura é conjuntura. Não dá para falar agora sobre isso." Segundo ela, "o importante agora é falar da Prefeitura, que vai cuidar principalmente da periferia, que foi abandonada nos últimos anos".

Já para Padilha, que deu declarações ainda com base na pesquisa de boca de urna, a vitória de Haddad "é a maior derrota da oposição no País e sintetiza o sentimento de mudança do povo paulistano". "São Paulo não quer mais do mesmo", disse, ressaltando que a vitória do petista aponta a derrota "de um possível pré-candidato à Presidência da República em 2014 (José Serra)".

Segundo o ministro, a tarefa do PT, a partir de agora, é reunir a base eleitoral e trabalhar para concretizar os avanços obtidos nas eleições. Com a base aliada, o PT, disse Padilha, deverá debater também o cenário para as eleições de 2014. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que Haddad deverá fazer parcerias com o governo federal, sobretudo na educação, já que Haddad foi ministro da área e a cidade enfrenta problemas nesse setor.

"Deixamos de fazer parcerias importantes com São Paulo. O governo federal ofereceu R$ 250 milhões para construir 174 creches e a cidade não fechou o acordo. Também não fez parceria para o Pronatec, que são aulas de ensino profissionalizante. Acho que tudo isso pesou na escolha do próximo prefeito", afirmou.

Evolução. Sobre a evolução de Haddad na campanha - o petista começou com cerca de 3% das intenções de voto e chegou a 59% -, Mercadante disse que o fato é reflexo da "fadiga do PSDB". "Haddad é jovem, talentoso, bem formado. Caminhamos para uma vitória espetacular não só aqui, mas em toda Grande São Paulo", disse o ministro ainda pela manhã. Ele votou por volta das 8h20 no Colégio Santa Clara, no Alto de Pinheiros, na zona oeste.

Vestindo camisa vermelha, foi votar acompanhado de assessores. E demonstrava otimismo com os resultados da eleição diante do quadro de vitória petista apontado pelas pesquisas. Os institutos Ibope e Datafolha mostravam Haddad com 59% e 58% das intenções de voto, respectivamente, e apontavam Serra com 41% e 42%. O ministro disse que Haddad trouxe propostas criativas e inovadoras para a Prefeitura de São Paulo. / DIEGO ZANCHETTA, FERNANDA BASSETTE e GUSTAVO PORTO

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