'Foi aquilo mesmo que já sabíamos', diz Ana de Hollanda

Última reunião com a presidente durou cerca de 20 minutos; gestão na pasta foi marcada por polêmicas

DÉBORA BERGAMASCO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h04

Instável no cargo desde a nomeação, em janeiro do ano passado, Ana de Hollanda, irmã do cantor e compositor Chico Buarque, deixou seu gabinete às 14h45 de ontem para um encontro dali a 15 minutos com a presidente Dilma Rousseff já sabendo que seria demitida. Ela suspeitava da demissão desde a noite anterior, sem que tivesse sido comunicada de nada por Dilma ou por seus assessores. Sabia até quem seria sua substituta, a senadora Marta Suplicy, do PT.

Com o celular desligado, Ana foi sozinha ao Palácio do Planalto, em silêncio, concentrada na leitura. Esperou a presidente Dilma por 10 minutos, ouviu-a por mais 20, despediu-se e tomou, pela última vez em missão, o Mégane Renault preto, de placa verde e amarela, carro oficial que a partir de amanhã servirá à sua substituta. A placa será a mesma e não haverá nem necessidade de troca de gênero: "ministra da Cultura".

Na volta, no percurso de pouco mais de cinco minutos entre o Palácio do Planalto e seu ministério, e agora com o telefone ligado, Ana atendeu a algumas chamadas telefônicas. Muito abatida, tentava tranquilizar quem estava do outro lado da linha: "Está tudo bem, foi aquilo mesmo que já sabíamos desde ontem. Agora vou descansar", disse Ana, por meio de seu iPhone.

Depois, subiu direto para o gabinete, onde se reuniu por mais de duas horas com sua equipe. Às 18h30, um funcionário desceu até a garagem com uma mala marrom de rodinhas de tamanho médio e a colocou no carro oficial.

Sem apoio. A nomeação de Ana de Hollanda para o Ministério da Cultura foi contestada pelos diversos grupos petistas, que disputam a pasta desde a nomeação dos ministros da equipe da presidente Dilma Rousseff, em 1.º de janeiro de 2011.

No período em que ficou à frente do Ministério da Cultura, Ana de Hollanda envolveu-se em ao menos duas polêmicas. Um levantamento do Estado divulgado em maio do ano passado mostrou que nos primeiros quatro meses de mandato a ministra havia recebido cerca de R$ 35,5 mil por 65 diárias, sendo que a agenda do ministério não registrava compromisso oficial em, pelo menos, 16 desses dias. O custo em passagens aéreas foi de R$ 17,3 mil.

De acordo com a apuração feita pela reportagem do Estado, Ana de Hollanda viajava para o Rio de Janeiro - onde tem casa - nos fins de semana e requeria diárias. Depois da publicação da notícia a ministra fez as contas e devolveu o dinheiro.

Este ano, a ministra foi questionada pela Comissão de Ética da Presidência da República por ter recebido de presente oito camisetas da escola de samba Império Serrano, do Rio de Janeiro, para desfilar no carnaval, depois de o Ministério da Cultura zerar a inadimplência da agremiação. Na época, a ministra minimizou o episódio e afirmou que "as camisas eram para desfilar num grupo de homenagem a Dona Ivone Lara".

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