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Foi aberto o placar

Muito mais que apenas um ano e 10 meses separa o discurso de abril de 2011, em que o senador Aécio Neves em tese se apresentaria como o líder da oposição no País, do pronunciamento feito por ele nesta quarta-feira na tribuna do Senado supostamente para dividir a cena com a festa do PT em comemoração aos seus 10 anos de poder.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h08

Antes fez um discurso tépido na forma e repetitivo no conteúdo. Tão fraco que recebeu apartes de diversos petistas com saudações ao líder da oposição "que todo governo gostaria de ter", conforme palavras do senador petista Jorge Viana.

Agora, com discurso bem mais incisivo com uma ideia síntese precisa - "O que preside o Brasil é a lógica da reeleição" -, propositadamente ignorado. Escalado para marcar a posição do PT no único aparte, o senador Lindbergh Farias acabou desperdiçando a oportunidade ao cobrar de Aécio Neves a pronúncia das palavras "povo, pessoas, gente, emprego miséria".

Abordagem, segundo o petista, "pouco competitiva para quem pleiteia a Presidência da República". O tucano agradeceu o "lançamento da candidatura" e, talvez por educação, evitou informar ao colega que a escolha do candidato e avaliação de competitividade cabe PSDB, não ao PT.

Os tucanos em geral têm-se notabilizado pelos passos em falso. Entre os inúmeros produtos de ambiguidades, hesitações e picuinhas em série, citemos apenas o último na eleição das Mesas da Câmara e do Senado. O PSDB fez que foi (contra), mas não foi.

Já na quarta-feira, o partido produziu dois acertos, abrindo um placar que até agora só registrava tentos para o adversário. O primeiro, a decisão de antecipar o pronunciamento de Aécio para fazê-lo coincidir com o dia da festa petista, usando um tom, senão de declaração de guerra, mas de chamada à disputa.

O segundo acerto, a defesa explícita do legado de estabilidade e organização do governo Fernando Henrique. Herança defendida com dez anos de atraso e depois de o PSDB deixar que o PT a carimbasse como "maldita". Ao menos dessa vez o tucano não tergiversou nem amenizou como em seu decepcionante discurso de abril de 2011: deu às coisas o nome que elas têm.

A medida da mudança de atitude foi o comportamento dos petistas em relação a ele. De tarde, no plenário, calaram para não acrescentar-lhe azeitona à empada e mais tarde, na festa do PT em São Paulo, desceram a lenha na oposição.

Trataram-na como existente. Na cartilha de comparação entre os governos petistas e tucanos, na fala agressiva de Lula, na tentativa da presidente da República de eliminar o passado - "não herdamos nada" - da História.

Isso de um lado vitamina os fragilizados oposicionistas e, de outro, sinaliza que o governo, de verdade, não compartilha da avaliação do presidente do PT, Rui Falcão, de que não haverá "pedras no caminho" da reeleição de Dilma. A ofensiva é coisa de quem acha que a vida não será assim tão fácil.

Tempos modernos. A Organização Não Governamental Avaaz conseguiu recolher 1,6 milhão de assinaturas de gente que discorda da presença de Renan Calheiros na presidência do Senado, mas na hora de levar o abaixo-assinado a Brasília havia menos de 30 pessoas no ato de protesto em frente ao Congresso.

Conversa fora. Todos os anos, seja qual for o governo, começam com a mesma história de reforma ministerial que acaba não se concretizando como tal.

No máximo uma mexida aqui e ali para fins de acomodação político-partidária, mas nada que se enquadre no conceito estrito do termo reforma: "Mudança em algo para fins de aprimoramento e obtenção de melhores resultados; nova forma; nova organização; renovação".

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