Fogaça vence e é o 1º prefeito reeleito de Porto Alegre

Vencendo Maria do Rosário, peemedebista afasta novamente o PT da gestão de uma das vitrines do partido

Da Redação,

26 de outubro de 2008 | 19h30

O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), foi reeleito neste domingo, 26. Com 100% dos votos apurados, Fogaça teve 58,95% da preferência do eleitorado, com 470.696 votos, contra 40,97% - 327.999 votos - da rival Maria do Rosário (PT). Fogaça é o primeiro prefeito reeleito da história de Porto Alegre e também o primeiro do PMDB - no primeiro mandato ele havia sido eleito pelo PPS.  Veja também: Perfil dos candidatos de Porto Alegre Geografia do voto: desempenho dos partidos no País Desempenho dos partidos nos Estados Cobertura completa das eleições 2008  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Além de contrariar a percepção de que os gaúchos não gostam de reeleger candidatos, a vitória de Fogaça (PMDB), para o segundo mandato afastou, novamente, o PT da gestão de uma das vitrines do partido. Ao vencer a eleição em 2004, Fogaça havia interrompido uma seqüência de 16 anos de mandatos da legenda, que firmaram um caráter simbólico da conquista para o partido. No começo da semana, ao discursar no comício de encerramento da campanha de Rosário, o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Edson Santos, resumiu o caráter simbólico da cidade para o PT. "O País era governado sob hegemonia do pensamento neoliberal", sustentou, e "Porto Alegre era o contraponto". O apoio mais esperado no segundo turno por Rosário, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou apenas em forma de mensagem gravada, exibida na publicidade eleitoral gratuita de televisão e rádio na quinta-feira (23), três dias antes da votação. Formado em direito, José Alberto Fogaça de Medeiros, de 61 anos, elegeu-se deputado estadual em 1978 pelo então MDB, atraído à carreira política pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), quando atuava como professor de língua portuguesa em curso pré-vestibular. Exerceu um mandato de deputado federal (eleito em 1982) e dois de senador (1986 e 1994). No Senado, foi relator-adjunto da Assembléia Nacional Constituinte (1987-88) e propôs o parlamentarismo como sistema de governo. Em 2001, deixou o PMDB e filiou-se ao PPS, acompanhando o ex-governador Antônio Britto (1995-1998). Disputou e perdeu a cadeira no Senado em 2002, quando Britto concorreu ao governo do Rio Grande do Sul e ficou em terceiro lugar, sem conseguir vaga para o segundo turno. Na época, Fogaça chegou em quarto lugar, atrás de Sérgio Zambiasi (PTB) e Paulo Paim (PT), que preencheram as duas vagas abertas para a Casa, e Emília Fernandes (PT), em terceiro. Após a eleição de 2002, atuou como assessor da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). Voltou a disputar cargos eletivos em 2004 ainda pelo PPS, derrotando Raul Pont (PT) no segundo turno da eleição para a administração municipal. Fogaça fez 53,32% dos votos válidos, ante 46,68% de Pont. Para aquela campanha, aglutinou 12 agremiações para enfrentar um adversário apoiado por nove partidos, dos quais cinco de fraca expressão eleitoral. Em setembro de 2007, alegando razões "pessoais", regressou ao PMDB em tempo hábil para concorrer à reeleição pela antiga legenda. Neste pleito, Fogaça formou uma aliança com siglas de peso na cidade (PMDB-PDT-PTB), além do pequeno PSDC. Fogaça é casado com Isabela e tem quatro filhos. No segundo turno, ganhou adesão do PSDB, DEM, PP, PPS e PMN. Rosário começou a campanha com PT, PRB, PTC e PSL, e obteve apoio do PC do B, PSC, PR e PT do B na segunda fase.  Disputa Com as alianças fechadas e sem grandes ataques, Fogaça e Rosário investiram na comparação de resultados para convencer os eleitores na disputa pelo segundo turno das eleições em Porto Alegre. O PT tentava recuperar a prefeitura após a interrupção de um ciclo de quatro administrações sucessivas na capital.  Enquanto Rosário se esforçava em apontar áreas que teriam piorado durante o governo Fogaça, o atual prefeito e favorito nas pesquisas de intenção de voto mostrava resultados e acusava os antecessores de terem deixado obras não realizadas e as finanças municipais no vermelho.  Além de temas como saúde e educação, constantes nos confrontos entre os candidatos, Rosário tentava atingir Fogaça ao responsabilizá-lo por uma suposta perda de espaço e projeção da capital no contexto nacional e internacional. Ao apelo petista de "acelera Porto Alegre", o prefeito respondia dizendo que a adversária atacava a cidade ao desconsiderar os bons projetos já realizados.  Para tentar virar o jogo, Rosário trocou seu marqueteiro. O afastamento teria sido resultado de críticas quanto ao conteúdo da campanha e de divergências sobre valores para o trabalho no segundo turno. As duas candidaturas apostam em programas mais dinâmicos, cenas de rua e depoimentos de apoio de eleitores.  A petista ganhou apoio de figuras de peso, como a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dilma chegou a participar de alguns comícios ao lado de outros ministros: Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Edson Santos (Igualdade Racial). A campanha de Rosário torcia pela presença de Lula em Porto Alegre, o que foi defendido por ministros e líderes do PT, mas o presidente apenas gravou apoio no programa eleitoral. Entre os aliados de Fogaça, houve pressão sobre o Planalto no sentido contrário, ao lembrarem que os partidos associados à campanha (PMDB, PDT e PTB) integram a base do governo Lula. Discurso Apesar da derrota eleitoral, Maria do Rosário disse que se considera vencedora porque conseguiu atingir uma das duas metas que tinha na campanha, que era de mostrar que os ideais de democracia e de pluralismo da Frente Popular (nome de sua coalizão) estão vivas na cidade e representados pelos 327.799 votos (41,05% dos válidos) que conseguiu. "Saibam também aqueles setores que pautam a vida política pelo preconceito, que se dizem antipetistas, que a Frente Popular foi abraçada pelo povo de nossa cidade 20 anos depois da vitória do companheiro Olívio Dutra (em 1988)", discursou.  (com Sandra Hahn, da Agência Estado)

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