Fogaça se licencia e aposta em comícios

Prefeito de Porto Alegre começou a 'andar pela cidade como candidato'

13 de setembro de 2008 | 16h53

Licenciado da prefeitura de Porto Alegre há uma semana, o prefeito José Fogaça (PMDB), candidato à reeleição, começou esta semana a "andar pela cidade também como candidato". Fogaça marcou a saída da administração municipal com um comício. Ele afirmou que evitou pedir votos enquanto estava no exercício do cargo e adotou agora a estratégia de fazer corpo a corpo em toda a capital gaúcha.   O candidato da Coligação Cidade Melhor - Futuro Melhor (PMDB-PTB-PSDC-PDT) afirmou que vê uma distribuição parelha do eleitorado em todas as áreas geográficas da capital.   Assim como Fogaça, os adversários dele começaram a investir mais nos eventos de rua, com caminhadas e também comícios. "É estranho, que mesmo licenciado, ele não esteja nos debates que estão ocorrendo na cidade nos diferentes setores, especialmente junto às escolas", criticou a candidata Maria do Rosário (PT), da Coligação Frente Popular (PT-PSL-PTC-PRB), que participou sexta-feira (12) de um debate no Colégio Anchieta, ao qual Fogaça não compareceu.   Para a candidata Manuela D'Ávila (PC do B), da Coligação Porto Alegre É Mais (PC do B-PPS-PR-PT do B-PMN-PSB-PTN), a presença ou ausência do prefeito de Porto Alegre no Poder Executivo municipal "não altera o que não foi feito nos últimos quatro anos e o que tem sido feito única e, exclusivamente, em período eleitoral".   Já o deputado Onyx Lorenzoni (DEM), da Coligação Porto Futuro Alegre (DEM-PP-PSC), afirmou considerar que o candidato à reeleição leva vantagem. "Em qualquer administração, mesmo quando o prefeito não tem uma boa avaliação, como é o caso do atual, ele tem uma máquina poderosa", disse, acrescentando que, para contrabalançar, acorda mais cedo que Fogaça e faz campanha.   Se até agora as estratégias dos concorrentes ficaram restritas à apresentação dos currículos e valorização da imagem, faltando 23 dias para o primeiro turno, eles devem encarar a comparação e as críticas recíprocas. "Se as críticas à atual gestão continuarem no nível que estão, é provável que Fogaça siga liderando as pesquisas", disse o sociólogo e cientista político Flávio Silveira, sobre a liderança do prefeito da capital gaúcha.   Na visão de Fogaça, os adversários subiram o tom. "Há uma mudança visível dos candidatos", avaliou, declarando que não vai alterar a atitude por causa dos oponentes. "O eleitor percebe uma mudança tão repentina e casuística", aposta.   A tática dos opositores não tem só críticas explícitas. O deputado estadual Nelson Marchezan Júnior, candidato do PSDB, e Manuela apostaram, desde os primeiros debates, em apresentar-se como candidatos de "atitude", insinuando, desta forma, que faltaria determinação ao candidato do PMDB à reeleição na gestão da capital. Fogaça tem um bom índice de aceitação pessoal, mas uma elevada avaliação "regular" como prefeito, recordou Silveira. Nas eleições anteriores, o PT encarava, na situação, as críticas de um bloco de adversários, o que tinha efeito importante na mudança do quadro, lembrou. "Havia um desgaste do processo eleitoral", observou.   A dosagem dos ataques de cada um é que determinará quem terá mais aceitação ou ganhará a antipatia dos eleitores. Lorenzoni começou a campanha com cobranças diretas a Fogaça e ao Executivo municipal, mas agora tem oscilado essa posição com críticas mais suaves, comparou Silveira Na disputa pelo segundo lugar das pesquisas, Maria do Rosário tem mais liberdade para criticar o prefeito. A candidata do PC do B à prefeitura de Porto Alegre, que aparece empatada com a petista na segunda posição, vai "medir mais as palavras", avaliou o sociólogo e cientista político. Manuela fez aliança com o PPS, que indicou o candidato a vice-prefeito na chapa, Berfran Rosado.   Fogaça foi eleito pelo PPS em 2004, de onde saiu em 2007 para retornar ao PMDB. Mas o PPS ainda tem vários integrantes em cargos no município.   A candidata Luciana Genro (PSOL) ataca todos os rivais mais bem posicionados, dizendo que Fogaça e Maria do Rosário têm, na "essência", projeto semelhante, e Manuela está aliada a companheiros de legenda que governaram com o ex-governador Antônio Britto (1995-1998), "de triste lembrança", numa referência ao PPS.   Por causa da ampla base aliada ao governo federal, Maria do Rosário não está sozinha na associação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Manuela exibiu imagens com Lula, Luciana mostrou o pai e ministro da Justiça, Tarso Genro, e até Fogaça teve apoio do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, uma vez que o PDT integra a chapa com o candidato a vice-prefeito, José Fortunati. No entanto, Maria do Rosário tem o apoio mais constante do primeiro escalão - cinco ministros participaram de atividades com a candidata, incluindo Tarso Genro e a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, além do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP).   A campanha teve também uma substituição de nomes. O candidato Paulo Rogowski (PHS) teve o registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e foi substituído, por determinação do partido, por Carlos Gomes. Além de Rosário, Manuela e Luciana, o PSTU é representado também por uma mulher na disputa, a presidente regional Vera Guasso. (Sandra Hahn)

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