Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Flávio Rocha se filia ao PRB para disputar Presidência da República

Dono da Riachuelo, que era do PR, deve assinar ficha de filiação ainda nesta terça-feira

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 11h27

BRASÍLIA - O empresário Flávio Rocha, dono das lojas Riachuelo, se filiou nesta terça-feira, 27, ao PRB e anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo partido. Ele afirmou que sua intenção de disputar o Planalto representa um contraponto até mesmo à possível reeleição do presidente Michel Temer (MDB). Apesar do discurso do empresário, o presidente do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira, disse que a sigla continua integrando a base aliada de Temer.

Rocha conversava com o PRB desde outubro do ano passado. Na última sexta-feira, ele havia comunicado que deixará, em abril, a diretoria da Guararapes Confecções, grupo que administra a Riachuelo, para concorrer à Presidência. No sábado, reuniu-se em São Paulo com o líder do partido na Câmara, Celso Russomanno (SP), para fechar os detalhes da negociação. 

O martelo sobre a filiação, porém, só foi batido durante reunião nesta terça-feira com parlamentares e dirigentes da legenda na Câmara. O empresário chegou a procurar o MDB, mas desistiu após Temer anunciar desejo de tentar reeleição.  

+++Autofinanciamento vira ativo na disputa eleitoral

Na negociação com o PRB, Rocha prometeu financiar sua campanha com dinheiro do próprio bolso, para que o partido possa usar os recursos públicos do fundo eleitoral e do partidário para eleger o maior número de deputados e senadores, principal foco da sigla nas eleições deste ano. Com uma fortuna avaliada em US$ 1,3 bilhão, o empresário já figurou na revista Forbes como o 39.º homem mais rico do Brasil.

A aproximação entre o Rocha e o PRB também se deu pela religião. O empresário é fiel da igreja evangélica Sara Nossa Terra, que tem relações com a Universal do Reino de Deus, ligada ao PRB. Em janeiro, o empresário recebeu o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em evento da igreja em Brasília. Na ocasião, apresentou o ministro, que também é pré-candidato ao Planalto, como o responsável pelo “maravilhoso milagre da economia brasileira”.

Em entrevista nesta terça-feira, Rocha – que já foi deputado federal por dois mandatos – se apresentou como um pré-candidato liberal na economia, reformista, privatista e conservador nos costumes. Mas fez questão de se diferenciar do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que se lançou como presidenciável com discurso de direita. “Vejo pouquíssimas identidades, principalmente na economia”, disse.

"Nossa candidatura se contrapõe até mesmo à possibilidade de candidatura do presidente Temer”, afirmou o empresário. Apesar do discurso de Rocha, o PRB continuará integrando a base aliada. “Aderimos e ainda integramos o governo Temer. Sair ou não é uma decisão que vamos tomar com a bancada e com Temer na próxima semana”, disse Pereira, que foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do emedebista, pasta que o partido continua comandando.

O PRB nega publicamente, mas integrantes da cúpula do partido dizem que, se o empresário não se viabilizar nas pesquisas de intenção de voto, uma alternativa é oferecê-lo como vice-presidente em outra chapa.

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