Fiscais do Cremesp apontam falhas no programa Mais Médicos

Na terceira crítica de uma entidade médica ao governo federal na semana, conselho expõe que um terço dos profissionais do programa não tem tutor

Fabiana Cambricoli , O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2014 | 21h22

SÃO PAULO - A três dias da eleição, mais um relatório de uma entidade médica com críticas a políticas do governo Dilma Rousseff na área da saúde foi apresentado. Nesta quinta-feira, 23, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) divulgou relatório que aponta falhas no programa federal Mais Médicos. Nesta semana, o Conselho Federal de Medicina já havia divulgado dois levantamentos em que apontava redução de leitos no País nos últimos quatro anos e críticas ao uso abaixo da meta da verba prevista para a saúde.

No novo documento, o Cremesp apresenta problemas do programa Mais Médicos verificados em fiscalização feita pelos técnicos do conselho em postos de saúde da cidade de São Paulo onde atuam os profissionais do programa.

Entre os principais resultados da fiscalização está o fato de mais de um terço dos médicos entrevistados (35,7%) afirmarem que nunca tiveram contato com o tutor ou que não sabem da sua existência. Pela lei que regula o Mais Médicos, os profissionais devem ser acompanhados periodicamente em suas ações de atendimento por outro profissional.

A pesquisa entrevistou 98 médicos do programa Mais Médicos e outros 115 doutores brasileiros com registro no Cremesp em 75 UBSs da capital paulista entre abril e maio de 2014.

A fiscalização apontou ainda problemas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) visitadas. De acordo com o Cremesp, 12% dos postos tinham medicamento fora da validade, 14% não possuía desfibrilador e 80% tinha relatos frequentes de falta de remédios. Apesar disso, a pesquisa apontou que a maioria dos médicos brasileiros entrevistados (93%) se disse muito satisfeito, satisfeito ou parcialmente satisfeito com o local em que trabalham.

Incoerências. De acordo com o Ministério da Saúde, porém, a pesquisa tem incoerências quando trata da questão do tutor. A pasta federal afirma que “o profissional médico que fica diretamente responsável pela supervisão dos participantes para orientação e apoio clínico é denominado supervisor e não tutor”. O ministério explica que o tutor é o médico responsável por acompanhar o trabalho de cada grupo de dez supervisores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.