Filho de senador é acusado de manter piloto como funcionário fantasma na Assembleia de Minas

Ministério Público abriu ação por improbidade contra o deputado estadual Gustavo Perrella; avião já havia sido aprendido com 443 quilos de pasta de cocaína

Ezequiel Fagundes , Especial para o Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2014 | 20h51

O deputado estadual Gustavo Perrella (PSD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), foi acusado pelo Ministério Público Estadual de Minas Gerais de ter mantido como funcionário fantasma da Assembleia Legislativa do Estado o piloto do helicóptero da família.

Em novembro do ano passado, a aeronave pilotada pelo ex-servidor do Legislativo Rogério Almeida Antunes foi apreendida no Espírito Santo pela Polícia Federal com 443 quilos de pasta de cocaína.

Na época, o helicóptero Robinson modelo R 66 foi confiscado pela Justiça Federal capixaba. No entanto, no mês passado, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), no Rio de Janeiro, mandou devolver aeronave para a família do senador.

Gustavo Perrella é candidatado a deputado federal em dobradinha com o presidente do Cruzeiro, Gilvan Pinho Tavares, clube dominado politicamente pela família desde a década de 1990,

Em depoimento a promotores de Justiça de Belo Horizonte, o piloto Rogério Antunes, réu por tráfico internacional de drogas, declarou que recebia remuneração mensal de R$ 11 mil como piloto da Limeira Agropecuária e Participações Ltda, - empresa da família -, sendo que R$ 1 mil eram pagos pelos cofres da Assembleia. Além do complemento salarial e dos benefícios, Antunes contou que Gustavo Perrella ofereceu o cargo de Agente de Serviços de Gabinete I e fez questão de ressaltar as vantagens do "emprego".

"Propôs que parte do salário ajustado seria pago pela Assembleia Legislativa", diz trecho do depoimento. "O que também lhe garantiria o recebimento de outros benefícios como plano de saúde, assistência odontologia e etc." Somando salário e vantagens, ele recebeu pouco mais de R$ 13 mil da Assembleia, valor que o Ministério Público quer que seja devolvido pelo deputado ao erário.

'Praia, fazendas'. No interrogatório, Antunes disse que nunca prestou serviço para a Assembleia de Minas e que sua função era pilotar o helicóptero em viagens até a praia, chácaras de amigos, fazenda da família e compromissos políticos.

Antunes foi nomeado em março de 2013 e só foi exonerado em 25 de novembro do ano passado, um dia depois da apreensão da aeronave pela PF. Indicado por Gustavo Perrella, ele estava lotado na 3ª Secretaria da Casa, à disposição do deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT-MG), que foi arrolado como testemunha da ação de improbidade administrativa.

Essa é segunda ação ligada à apreensão da cocaína no helicóptero que o Ministério Público move contra o deputado mineiro. Em junho deste ano, Gustavo Perrella foi denunciado acusado de ter abastecido a aeronave particular com recurso da verba indenizatória da Assembleia. Nesse caso, os promotores sustentam que os deslocamentos não possuem relação com o mandato e que foram feitos em caráter pessoal. Foram 21 pedidos de reembolso de despesas com combustível, totalizando R$ 14 mil.

Gustavo Perrella não quis comentar o assunto. Procurada, a assessoria de imprensa do deputado alegou que  o parlamentar estava cumprindo compromissos de  campanha. Seu advogado, Sérgio Santos Rodrigues, disse que não conhecia o teor da ação e por isso não iria comentar o assunto.

A defesa  do piloto Rogério Almeida Antunes informou que ele não iria se pronunciar.

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