Filho de Paulinho da Força deixa gestão Alckmin

Corregedoria vai apurar ação paralela do pedetista Alexandre Pereira da Silva, que chefiava setor da Secretaria de Emprego sem ter sido nomeado oficialmente para o cargo

Julia Duailibi, de O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2012 | 03h06

Alexandre Pereira da Silva, filho do candidato à Prefeitura pelo PDT, o deputado Paulo Pereira da Silva, deixou na tarde dessa quarta-feira, 18, a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, onde comandava um escritório paralelo. Apresentado como "coordenador", ele recebia prefeitos e decidia sobre a aplicação de recursos de programas da pasta sem ocupar cargo formal.

A saída de Alexandre ocorreu ontem após o Estado revelar a existência da estrutura paralela.Também filiado ao PDT, o filho do presidente licenciado da Força Sindical chefiava na prática a Coordenadoria de Operações da pasta, responsável por 243 postos de atendimento a trabalhadores, uma importante vitrine eleitoral no interior paulista.

Alexandre tinha gabinete e secretária. No papel, no entanto, o cargo era ocupado por Marcos Wolff, um funcionário de carreira sem ligações partidárias.

A secretaria é controlada pelo PDT desde março, após acordo no qual Paulinho indicaria o titular da pasta em troca do apoio à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014.

Alexandre entregou uma carta de demissão ao secretário, o sindicalista Carlos Ortiz, nomeado para o cargo por indicação de seu pai. Segundo o governo estadual, Alexandre trabalhava na secretaria como funcionário contratado da Fundac (Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação), que tem dois contratos com a pasta para assistência técnica à coordenação de políticas de emprego e renda.

Alckmin determinou que a Corregedoria-Geral da Administração, ligada à Casa Civil, investigue a atuação de Alexandre na pasta e as nomeações de pessoas ligadas ao PDT. De acordo com levantamento feito pelo Estado, pelo menos 8 dos 21 Centros Regionais estão dirigidos por pessoas ligadas ao partido, nomeadas depois de Ortiz assumir a secretaria em março.

O artigo 5.º, da lei estadual 1.080 de 2008, diz que para assumir o cargo de diretor técnico, para os quais os pedetistas foram nomeados, deve ser comprovada "experiência profissional de, no mínimo, quatro anos em assuntos relacionados com as atividades a serem desempenhadas".

A secretaria afirma que "todos (os nomeados) têm ou tiveram atuação no movimento sindical ou no serviço público" e que "as indicações foram realizadas atendendo a dispositivos legais".

Apesar de ter dito publicamente que não havia irregularidades na contratação de Alexandre (leia texto abaixo), Alckmin pediu explicações a Ortiz sobre a atuação do filho de Paulinho e determinou que ele fosse afastado o quanto antes da pasta.

Alexandre não é o único integrante da cúpula do PDT que atua diretamente na secretaria. O chefe de gabinete da pasta, Cristiano Vilela de Pinho, é assessor jurídico do partido e genro de Paulinho. Luciano Martins Lourenço, ex-assessor do candidato à Prefeitura, também ocupa um cargo de coordenação.

Relações. A Fundac, que contratou formalmente Alexandre, recebeu R$ 3,7 milhões da Secretaria de Emprego neste ano. A entidade, que diz ser sem fins lucrativos, firmou dois contratos, sem licitação, com a secretaria em 2011, quando a pasta era administrada por David Zaia (PPS). Desde então, já recebeu R$ 6,2 milhões dos cofres do Estado. Um contrato é para assistência técnica em programas de qualificação profissional. O outro, para assessoria no Banco do Povo. Em 2011, a Fundac recebeu da Assembleia, sem licitação, a operação da TV da Casa. A entidade atua ainda na TV da Câmara Municipal de São Paulo. Os contratos com as emissoras somaram R$ 27,1 milhões em 2011. / COLABORARAM BRUNO BOGHOSSIAN e FERNANDO GALLO

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