Filho de Paulinho atuou sem ligação com Fundac

Fundação contratada por pasta sob controle do PDT diz ter encerrado vínculo com Alexandre em 31 de maio; ele deixou secretaria em julho

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h08

Alexandre Pereira da Silva, filho do candidato do PDT à Prefeitura de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, atuou na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho, controlada pelo partido de seu pai, sem ter vínculo empregatício com a Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac). Até então, a secretaria havia sustentado não haver irregularidade na atuação de Alexandre, já que ele seria funcionário contratado pela entidade, prestadora de serviço ao governo do Estado.

Conforme informações da própria Fundac, obtidas pelo Estado ontem, o contrato de trabalho firmado com Alexandre havia se encerrado no dia 31 de maio deste ano. Apesar disso, o filho de Paulinho continuou despachando na pasta, onde tinha gabinete próprio, e-mail institucional e até secretária, mesmo sem vínculo formal com a Fundac ou com a secretaria.

Alexandre deixou a secretaria no dia 18 de julho, depois de o Estado revelar que ele tocava um "escritório paralelo" e atuava como coordenador de Operações da secretaria, responsável pelos 243 Postos de Atendimento ao Trabalhador. Ele recebia prefeitos e decidia sobre a aplicação de verbas, sem ter sido nomeado para exercer a função.

Na época, a Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho afirmou não haver irregularidade na atuação de Alexandre, já que ele tinha vínculo empregatício com a fundação, contratada para dar assistência técnica à coordenação de políticas de emprego e renda e para gerir programas de transferência de renda.

Ontem, a Fundac revelou que Alexandre teve um contrato de trabalho de apenas dois meses com a entidade. Foi contratado de 2 de abril até 31 de maio, quando deixou de ter relação com a entidade. Questionada sobre o fato, a assessoria de imprensa da secretaria não se manifestou.

Sem problema. No dia 18 de julho, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) também afirmou não haver problema na ação de Alexandre, pois ele seria funcionário da Fundac. "Ele é funcionário contratado pela Fundac exatamente para fazer este trabalho: cuidar de políticas públicas voltadas a emprego e renda. Ele ajuda, assessora o coordenador", disse. Paulinho seguiu a mesma linha: "Ele era funcionário terceirizado da secretaria e só por ser filho de deputado (federal) não pode trabalhar?".

Apesar das declarações, Alckmin determinou que Alexandre fosse afastado da pasta. Também mandou a Corregedoria-Geral da Administração investigar a atuação do filho de Paulinho.

A Secretaria do Trabalho é controlada pelo PDT, de Paulinho, que indicou o sindicalista Carlos Ortiz para o cargo. O genro do candidato, Cristiano Vilela de Pinho, trabalha como chefe de gabinete da pasta.

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