Filho de Herzog levará à CBF petição contra Marin

Documento online recebe mais de 50 mil nomes em apoio à saída do dirigente, suspeito de colaborar com a repressão na ditadura

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h05

A direção da Confederação Brasileira de Futebol vai receber no dia 1.º de abril a petição que cobra a saída de José Maria Marin da presidência da entidade, por causa de seu envolvimento com a ditadura militar. Ontem a petição online passou da marca de 50 mil assinaturas de apoio.

O organizador da petição, Ivo Herzog, é presidente do Instituto Vladimir Herzog e filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975, quando se encontrava detido nas dependências do Departamento de Operações e Informações (DOI), controlado pelo Exército, em São Paulo.

No texto em que justifica a petição, Ivo diz que Marin ajudou a dar sustentação política à ditadura. Na época do assassinato do jornalista, Marin era deputado, filiado à antiga Arena, partido que dava fachada legal e sustentação política à ditadura. No dia 9 de outubro daquele ano, Marin pediu providências em relação à atuação de supostos militantes de esquerda na TV Cultura. No dia 25 do mesmo mês, Herzog, que era funcionário da emissora, foi preso e assassinado.

Por causa dessa ligação com o autoritarismo, diz Ivo, o presidente da CBF não tem condições de permanecer no cargo. O problema seria agravado pelo fato de o Brasil estar às vésperas da Copa do Mundo. "Ter Marin à frente da CBF agora é como se a Alemanha tivesse permitido um membro do antigo partido nazista ter organizando a Copa de 2006", compara.

A petição começou a circular no dia 19 de fevereiro, na plataforma online Avaaz, mas os apoios ganharam mais impulso nos últimos dez dias, após Marin usar o site da CBF para se defender das acusações feitas contra ele. / ROLDÃO ARRUDA

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