FHC diz que telefonou a Lula ao saber do câncer

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que não guarda mágoas do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, seu adversário político, e que em outubro, assim que se divulgou que ele tinha câncer na laringe, telefonou-lhe para conversar.

GUSTAVO URIBE, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h04

"Minha relação com Lula é antiga, de vez em quando ele dá uma alfinetada e eu também, é assim", disse o tucano. "É claro que, em dado momento, você discorda em um ponto e concorda em outro, vai variando. E eu costumo dizer o que eu penso."

Num momento de afago ao petista, FHC, que participou ontem de sabatina no jornal Folha de S.Paulo, contou: "Depois da democratização, nós fomos os dois presidentes que ficaram mais tempo à frente do governo. E, de uma maneira ou de outra, marcamos a história contemporânea do Brasil".

Indagado sobre as passagens em que falou de Lula no recém-lançado livro A Soma e o Resto, o tucano comentou que Lula "tem importância e é um dos marcos da história do Brasil. Prefiro me referir a esses marcos do que ficar aí catando formiga".

Fernando Henrique comentou, na sabatina, a atuação de Lula durante o mensalão, afirmando que ela foi decisiva para dissipar a repercussão do escândalo. "Num dado momento, quando foi posto na parede, disse: eu vou brigar. E disse que não houve nada, que era mentira. Ele foi decisivo naquele momento em dissipar o mensalão."

O tucano disse que era contrário a que Lula fosse deposto, naquele momento, pois isso criaria "uma fenda" que duraria dezenas de anos. "A minha visão é de que o ex-presidente simbolizou a subida ao poder de um líder sindical. Você derrubar um líder sindical e popular, ainda que legalmente tenha todos os argumentos, acabaria criando uma fenda no País que poderia durar anos."

Ele elogiou também a presidente Dilma Rousseff, por sua postura de respeito e civilidade em relação a ele.

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