FHC diz que é possível se perder uma 'eleição ganha'

Em jantar com empresários, ex-presidente lembra eleição de 1985 para a prefeitura de São Paulo, quando Jânio o venceu de virada, para dizer a Aécio, em terceiro na disputa presidencial, que é ainda é possível vencer

Sonia Racy e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2014 | 07h47

Atualizado às 9h55

São Paulo - Principal articulador político da candidatura presidencial de Aécio Neves no PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou a derrota que sofreu para Jânio Quadros na disputa pela prefeitura de São Paulo em 1985 para estimular a campanha do aliado, que está estagnado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. "Eu perdi uma eleição ganha no dia (da votação) para prefeito de São Paulo. Graças a Deus, porque cheguei à Presidência. Talvez não tivesse chegado", disse FHC, nessa segunda-feira, 15. Quis mostrar que, em se tratando de política, tudo pode mudar.

A declaração foi feita em um jantar fechado com empresários e dirigentes tucanos na casa do empresário João Dória, presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) na capital paulista, em homenagem ao governador de São Paulo,Geraldo Alckmin. Na disputa pela prefeitura em 1985, FHC era o franco favorito, mas acabou derrotado por Jânio em uma virada na reta final. "Política não é matemática. Estamos aqui para apelar, e eu apelo mesmo. Essas não são palavras de desespero, mas de convicção. Sem esforço não se vence", disse o ex-presidente. Em sua fala, João Doria também recorreu à derrota de 1985."Que isso sirva de inspiração positiva ao reverso. O Fernando Henrique estava eleito, mas em 48 horas tudo mudou. Até a festa estava pronta. Nunca se chorou tanto em uma noite de festa".

Além de lembrar da inesperada derrota de 1985, FHC fez duras críticas ao governo da presidente Dilma Rousseff. "Até que ponto vão abusar da nossa paciência? Estamos em uma situação calamitosa, que dá repulsa.

Estão arruinando moralmente o Brasil", afirmou o ex-presidente. Ele disse que ficou "golpeado" e sentiu "mal estar" ao voltar de Chicago no domingo, onde proferiu uma palestra, e ler as revistas semanais com as notícias sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Aécio, que tem chamado do caso de "mensalão 2", aposta no episódio para desgastar Dilma e chegar ao segundo turno.

O tucano começou a disputa pelo Planalto em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, com vantagem folgada sobre o terceiro colocado, o então candidato do PSB, ex-governador Eduardo Campos. Com a entrada de Marina Silva na cabeça da chapa em razão da morte de Campos, Aécio perdeu para a adversária a segunda colocação. De acordo com o último levantamento realizado pelo Ibope, o tucano aparece com 15% das intenções, contra 39% da petista e 31% da ex-ministra.

Em um rápido discurso, Aécio citou Guimarães Rosa. "Na vida o importante não é a chegada, nem a largada. Mas a caminhada." Alckmin por sua vez, fez um balanço de seu governo em São Paulo. Durante o jantar, Aécio e FHC dividiram a mesa com o governador paulista. João Doria, o empresário Jorge Gerdau, da Gerdau, Rubens Ometto, da Cosan, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, e Marcelo Odebrecht, da Odebrecht. Em outra mesa sentou-se José Serra que chegou no meio do evento tendo sido acomodado em uma das mais de 14 mesas no salão, com cerca de 150 pessoas. Também presente, um quase estranho no ninho: o prefeito de Campinas, Jonas Donizetti, que é do PSB, partido de Marina Silva.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõesFHCPSDBAécio Neves

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.