FHC defende união entre Aécio, Campos e Marina

Ex-presidente julga ser importante 'esforços de confluência' e afirma que senador deve 'consolidar nome com a população'

GUILHERME WALTENBERG, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h10

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem uma "confluência" de forças entre o senador tucano Aécio Neves (MG), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e a ex-senadora Marina Silva, que tenta lançar um partido, a Rede Sustentabilidade, a tempo de concorrer ao Planalto em 2014. FHC acredita que o PSDB e demais adversários da presidente Dilma Rousseff em 2014 devem buscar uma "mensagem clara, que mostre como sair desse momento em que estamos".

"Um dos problemas que o Brasil tem neste momento é que o governo do PT é um governo muito divisivo, puxa só para um lado e acusa o outro de não servir para nada. Isso tem que mudar. É muito importante que haja esforços de confluência", disse Fernando Henrique, em entrevista ao Broadcast Político.

Ao comentar o encontro de quinta-feira entre Aécio e Campos, FHC afirmou ser importante que Marina participe das conversas. "Ela é uma força moral importante e acho que seria muito bom que ela também entendesse o papel dela, que não é só de transmitir uma mensagem íntegra. É também de construir um caminho. Vejo com muita alegria a possibilidade de junção."

Aécio esteve ontem em Campina Grande (PB), onde afirmou que a conversa com Campos, na noite anterior, havia sido "sobre o Brasil". "Vamos continuar conversando. É isso que as pessoas esperam de nós: políticos que, independentemente de estarem no mesmo partido ou no mesmo projeto, têm a capacidade de pensar, juntos, coisas boas para o Brasil", disse o tucano. "Não tenho dúvida de que, dependendo do resultado eleitoral, vamos estar juntos. Seremos parceiros na construção de um novo modelo pro o Brasil."

Para Fernando Henrique, Aécio é o nome do PSDB para disputar o Planalto e isso ficou claro ao mencionar os próximos passos do senador. "Todo processo eleitoral depende do desempenho dos candidatos e da base que ele articula. O Aécio tem capacidade de articulação e tem um bom desempenho. Agora, tem que consolidar o nome com a população", disse. "Ele vai ter que trabalhar bastante, não é uma coisa simples assim."

Para FHC, "o problema do PSDB e da oposição" é buscar uma "mensagem clara, que mostre como sair desse momento que estamos e fale a coisa principal: o povo quer participar mais do processo de deliberação e quer mais qualidade, e não só quantidade".

Mensalão. Ao ser questionado sobre a defesa de tratamento "isonômico" para o mensalão mineiro no Supremo Tribunal Federal afirmada pelo novo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, FHC negou semelhanças com o processo envolvendo o PT e saiu em defesa do hoje deputado Eduardo Azeredo (PSDB), que era candidato à reeleição ao governo quando teria operado o esquema. "No caso de Minas, na pior das hipóteses, foi dinheiro para a campanha, não foi para comprar apoios ao governo", comparou. "O Eduardo está na condição parecida com o Lula, não foi ele quem operou."

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