Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

FHC defende união de partidos de centro e diz que movimento 'não é centrão'

Ex-presidente é um dos patrocinadores de um manifesto a ser lançado no fim de maio, encabeçado por lideranças de PSDB, DEM, MDB e PTB

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2018 | 14h52

Ao defender a união do que chama de centro democrático e reformista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta quinta-feira, 17, que é importante "não confundir o centro com centrão".

Fernando Henrique é um dos patrocinadores de um manifesto a ser lançado no fim de maio, conforme antecipado pelo Estado, que destaca a necessidade de unir um "centro democrático" nas eleições, encabeçado por lideranças de PSDB, DEM, MDB e PTB.

"Acho que precisa haver um esforço", disse FHC. "Se você diluir o centro no centrão, não corresponde com o desejo de reforçar o pensamento democrático, prestar atenção nas desigualdades, combate à corrupção e visão de futuro, o Brasil integrado na economia global, isso que eu acho uma visão que precisa ser renovada no centro."

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Como centrão, o tucano explicou que se refere a pessoas com interesses fisiológicos no "dá cá toma lá" de partidos e governo. "O povo não quer saber de dá cá toma lá, o povo quer saber da vida concreta dele. Esse centro democrático progressista tem que olhar para os interesses do povo, e não o interesse dos políticos, que nós estamos cansados de ver que não dá certo."

O ex-presidente deu um recado ao seu partido falando que é preciso unir o centro nas eleições, mas que misturar o chamado "centrão" na aliança pode ter um custo caro perante o eleitorado.

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Questionado se Geraldo Alckmin (PSDB) está confundindo o centro com centrão, FHC disse que o presidenciável tem sido prudente. "O Alckmin tem tido bastante prudência nessa matéria. Não tem nem dado passos além da perna", citou. Destacando que o ex-governador paulista é experiente, Fernando Henrique citou uma "receita" para Alckmin na campanha.

"Ele sabe que tem que jogar para o longo prazo, e sabe também que há o momento, que é o atual, que tem de ver com que aliança ele vai se propor. E, depois no momento decisivo que é a campanha, [apresentar] 'o que eu vou dizer ao País'."

Corrida. Enquanto o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) patina nas pesquisas de intenção de voto e conversa com outros partidos para as alianças eleições de outubro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o pré-candidato tucano tem sido "prudente" e não tem dado "passos além da perna" nas alianças eleitorais.

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Aliança com MDB. Após conversar com o presidente Michel Temer, Fernando Henrique considera difícil uma aliança do PSDB com o MDB no primeiro turno das eleições. O tucano afirma que, "provavelmente", o MDB terá candidato próprio e que, se não tiver, vai se concentrar nas eleições estaduais.

Maior do que o obstáculo de ser vinculado à imagem do governo Temer, disse FHC, são os "choques" entre as duas legendas nos palanques estaduais. "É difícil, os problemas são objetivos, muito mais que subjetivos", declarou, destacando que a decisão por uma aliança caberá a Alckmin.

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