FHC defende que PSDB 'dramatize' escândalo da Petrobrás

Em almoço com 600 empresários na capital paulista, ex-presidente e Armínio Fraga se revezaram em criticas à Dilma Rousseff e Marina Silva

Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 15h36

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta segunda-feira, 22, diante de uma plateia de 600 empresários, que a campanha de seu correligionário à presidência, Aécio Neves (PSDB) "dramatize" mais o episódio envolvendo o ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato.

"Não sou marqueteiro, mas a dramatização é um modo de comunicação importante. A Marina (Silva) respondeu a Dilma de forma dramática quando disseram que ela acabaria com o Bolsa Família. Por que o Aécio não pode fazer isso?", questionou. Acusado de participar de um esquema que desviava dinheiro da estatal petrolífera para o pagamento de propina, Costa está preso desde março e vem colaborando com a Justiça em um acordo de delação premiada.

Conforme divulgado pela imprensa, ele já teria citado mais de 30 nomes de políticos, dentre eles o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL)e o governador do Ceará, Cid Gomes (PROS) que estariam envolvidos em um esquema de pagamento de propinas em contratos da estatal. 

O ex-presidente tucano participou nesta segunda de um almoço com cerca de 60 empresários organizado pelo Lide, grupo de líderes empresariais. Anunciado como ministro da Economia de Aécio em uma eventual vitória do PSDB, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga também participou do evento e fez uma palestra para os empresários. Em entrevista depois do almoço, FHC afirmou que "o maior defeito de Marina é a falta de estrutura de campanha e partidária".

Ainda segundo o ex-presidente, o PSDB tem uma grande estrutura e precisa acioná-la. Questionado sobre a possibilidade de participar de um governo em uma eventual vitória da candidata do PSB, Fernando Henrique afirmou que não fará especulação sobre o assunto. "A vitória de Marina é tão eventual quanto a de Aécio. Se ele conseguir ótimo. Se não, fez o seu dever. Não fico especulando", disse.

Paralelo. Armínio Fraga por sua vez criticou a campanha de Dilma por ter exibido um vídeo que relaciona a independência do Banco Central à falta de comida na mesa das pessoas."Esse ataque à independência do Banco Central e à Marina é uma loucura", por outro lado, Fraga afirmou que "cabe um paralelo entre os casos do mensalão e da Petrobrás".

Na exposição feita durante o almoço, Armínio Fraga criticou o atual cenário eleitoral. "O quadro desta eleição é o mais populista que vi na minha vida". O presidente do BC, também disse que apesar do diagnostico da economia ser simples, a resposta do governo tem sido muito voltada à demanda. 

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