FHC cobra opiniões claras da oposição

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) cobrou ontem, no programa Roda Viva, da TV Cultura, que a oposição tenha pontos de vistas claros e definidos. "A oposição tem de dizer 'sou contra' e 'sou a favor'", declarou.

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2011 | 03h01

Respondendo a uma pergunta enviada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), sobre o excesso de partidos, disse que "o que há são legendas, e não partidos. Grupos que não têm proposta. Uma proliferação que chamaria de sistema multilegenda". Nesse contexto, lembrou que diversas tentativas de reduzir o número de partidos, como a cláusula de barreira, foram derrubadas no Congresso.

Sobre o fato de a imagem do PSDB, tido como um partido que defende os ricos, enquanto o PT estaria ao lado das pessoas mais pobres, o ex-presidente admitiu que o problema é que a sigla não consegue se comunicar. "Não soubemos deixar uma marca. Fizemos reforma agrária, demos acesso à educação, organizamos o SUS (Sistema Único de Saúde), mas faltou capacidade de explicar."

E completou: "Se PSDB quer voltar ao poder, primeiro tem que falar com as pessoas".

Economia. Ao analisar o atual cenário, FHC afirmou que o Brasil "saiu de uma fase de escassez para o começo da prosperidade", mas que, até agora, conseguiu apenas "uma inclusão parcial". Segundo ele, a verdadeira inclusão "virá quando as pessoas não necessitarem mais da muleta do Estado".

Questionado se não seria mais difícil fazer oposição devido aos avanços econômicos do País nos últimos anos, Fernando Henrique respondeu que sim, porque hoje "o que orienta é o mercado". "Está todo mundo obcecado com o mercado. Na Europa, os governos 'de esquerda e de direita' caem não por crises políticas, mas porque o mercado 'está lá embaixo'."

Ao falar da crise econômica europeia e sobre os desafios à democracia, o ex-presidente considerou "preocupante o que vem ocorrendo lá". "É a falência dos partidos, em sua capacidade de dar respostas. A democracia foi se desmilinguindo, sobretudo na Itália. É uma coisa aberrante", afirmou.

Convidados. Além do jornalista Mario Sergio Conti, que apresenta o programa, participaram da bancada que entrevistou o ex-presidente Fernando Henrique o editor executivo do jornal Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila; o colunista do jornal O Globo, Ancelmo Gois; a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl; a professora titular de Antropologia da USP, Lilia Schwarcz; e o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour.

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