FHC admite cansaço de eleitor com PSDB

Para ex-presidente, predominância do partido no Estado por longo tempo ajuda a explicar resultado de pesquisas na sucessão paulistana

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h04

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a polarização entre PSDB e PT em São Paulo "levou a uma fadiga de material" no cenário político paulista, e a isso se soma "um pouco de cansaço do eleitorado com a predominância do PSDB por longo tempo" no poder. Os tucanos estão no governo do Estado há 18 anos. Na Prefeitura, há oito anos.

A avaliação, em entrevista ao Estado, ocorre no momento em que tanto ele quanto a presidente Dilma Rousseff (PT) começam a participar da campanha eleitoral paulistana, gravando participações para os respectivos candidatos, José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT). O cenário de que fala o ex-presidente acabou determinando surpresas para os dois partidos: na contramão do que ambos esperavam, seus candidatos estão bem atrás do líder de todas as pesquisas, o candidato do PRB, Celso Russomanno.

Fernando Henrique faz, no entanto, duas advertências. Primeiro, que o eleitorado do PT também está menor, como eles mesmos informaram, e isso não acontece apenas em São Paulo. "Nas capitais, pelo País afora, o PSDB está melhor que o PT", advertiu. O segundo ponto é que "isso (a 'fadiga de material' do eleitorado) não assegura nada sobre o que vai acontecer até o dia das eleições". O jogo importante "vai se dar nas semanas finais".

A entrada de FHC e da presidente Dilma na campanha paulista se segue à "batalha epistolar" entre os dois no início da semana. No domingo, ele publicou no Estado um artigo crítico ao governo Lula, que ela replicou, no dia seguinte, defendendo seu antecessor. Ontem, FHC avisou que não quer levar essa discussão adiante e fez um único comentário: "Fiquei contente porque tudo o que eu disse parou em pé".

Ele não faz uma relação direta entre o "cansaço eleitoral" dos paulistanos e a queda de Serra nas pesquisas. "Ele já tinha caído antes, mas parou em outro patamar ". O que se percebe, diz ele, "é que o Russomanno subiu. Os outros estão no mesmo lugar".

Recuperação. Sua receita para a recuperação do partido e de seu candidato é "a reafirmação corajosa de suas teses e a defesa de valores, defender o que fizemos". Se isso for feito, espera que Serra volte aos antigos patamares. "Ir para o segundo turno é fundamental", avisou.

FHC ironiza análises de pesquisas que falam em empate técnico porque um candidato pode ter três pontos a menos e outro três a mais. "Ora, pode também ser o contrário e o que vai na frente estar ainda mais ainda à frente, não?" Ele não leva a sério, também, a insistência dos adversários em vender o novo. "O Russomanno, de novo, não tem nada. É candidato há muito tempo". Só faz sucesso "porque não está ainda classificado entre os grandes".

Aécio. A avaliação de Fernando Henrique foi reforçada, também ontem, pelo senador Aécio Neves. Em Jundiaí, onde foi apoiar o candidato tucano à Prefeitura, o senador afirmou que "o PSDB cometeu o pecado, no passado, de não ter valorizado o nosso legado". "Estou estimulando o presidente a entrar nas campanhas em algumas capitais", avisou, lembrando que "no quadro atual" o PSDB e seus aliados ldieram em mais de dez capitais "e o PT, só em Goiânia".

Mais tarde, em Ribeirão Preto, ele atacou os petistas: "Queremos introduzir na agenda do Brasil a gestão pública de qualidade para se contrapor a esse absurdo aparelhamento do Estado brasileiro". / COLABORARAM RICARDO BRANDT e RENÉ MOREIRA

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