JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Festa de Doria vira 'bota-fora' petista

Após vitória, euforia toma conta de entorno da sede do PSDB com gritos de ‘Fora, Haddad’

Pedro Venceslau e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

03 de outubro de 2016 | 00h58

Ao som do tema da vitória, que consagrou o piloto Ayrton Senna, o tucano João Doria chegou por volta das 21 horas na sede do diretório estadual do PSDB, na zona sul da capital, acompanhado do governador Geraldo Alckmin, do seu vice, Bruno Covas e da mulher, Bia Doria.

O clima de euforia, que já tomava conta do entorno da sede do partido, celebrava não apenas a vitória do tucano, mas a derrota do prefeito Fernando Haddad (PT) e o fortalecimento do partido, numa espécie de bota-fora dos petistas.

No estacionamento em frente ao diretório, militantes eufóricos balançavam bandeiras de Doria e recebiam os carros que passavam e buzinavam com gritos de “fora PT”, “fora Haddad” e “São Paulo é coxinha”. Dentro do diretório, musica alta, balões azuis e amarelo ajudavam um animador a distrair a plateia enquanto acompanhavam a apuração dos votos. Ao anunciar o resultado, o auditório foi tomado por gritos e choros.

Ostentando um broche “Eu apoio Sérgio Moro”, ao lado do adesivo de Doria, Evandro Sodeiro, 23 anos, dizia exaltado a outros ativistas: “A gente já tirou o PT e os comunistas do governo federal. Agora tiramos também da maior cidade do país. Alckmin vai crescer muito para as próximas eleições presidenciais”, afirmou, fazendo coro ao prefeito eleito, que enalteceu o padrinho político em seu discurso.

Filiado tucano desde os 16 anos, Alex Steiner distribuía adesivos aos que chegavam. “Qualquer um que conheça esse homem e vê o tanto que ele trabalha, não se surpreendeu”, afirmou o jovem, que trabalhou na campanha desde o início.

Ausências. Apesar da euforia dos militante, a festa da vitória de Doria também foi marcada pela ausência de nomes importantes do PSDB paulista, que não compareceram à celebração na zona sul da capital, como o ministro das relações exteriores José Serra. Mesmo os que a princípio eram contra, mas a apoiaram a candidatura de Doria na reta final, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Aloysio Nunes e o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, também não apareceram.

RESISTÊNCIA

Com Doria no palco, além de Alckmin, apenas membros da administração estadual, como o secretário da Casa Civil de Alckmin, Samuel Moreira. Do governo federal, o secretário adjunto do Ministério da Educação, Felipe Sigollo, também chegou no fim da tarde.

O recém eleito, porém, minimizou as ausências. “Serra é um homem de bem. Política não se faz com o fígado”, disse, listando os nomes de Aloysio está viajando, mas me ligou. E o José Aníbal me ligou”, disse Doria. O tucano afirmou ter “segurança que também estarão todos juntos nessa jornada política de ter todo PSDB agrupado e unido”.

Até mesmo o ex-governador Alberto Goldmann, que pregou voto contra o tucano até a véspera da votação, foi reverenciado pelo tucano. “Alberto Goldman merece respeito.”

De acordo com Doria, após sua vitória, ele recebeu ligação dos candidatos derrotados Celso Russomanno (PRB), Marta Suplicy (PMDB) e Haddad. Segundo pessoas próximas ao candidato, o presidente Michel Temer também o parabenizou pela vitória. “Tenho certeza que podemos ter boas conversas com o PMDB”, afirmou o prefeito eleito.

TRANSIÇÃO

Durante entrevista a jornalistas a noite deste domingo, o tucano adianto que a partir desta segunda já começará a se reunir com sua equipe para eleger nomes para compor sua gestão.

Ele adiantou apenas um nome: Julio Semeghini, seu coordenador geral de campanha, que irá coordenar também a equipe de transição.

Ele disse que as primeiras medidas tomadas em sua gestão serão referentes ao Corujão da Saúde, privatização do Anhembi e contratos com empresas de ônibus. “Saúde é o problema número, 1, 2 e 3. Precisa ter uma ação emergencial”, disse.

Eleito com 53% dos votos com o discurso de privatização, ele afirmou que irá tocar o PPP da iluminação e que a primeira privatização será do Anhembi, “que o prefeito tentou fazer, mas não conseguiu”.

Questionado sobre os contratos de empresas de ônibus, ele disse que irá reanalisá-los. Haddad teria se comprometido a não renová-los de imediato, segundo Doria. Ele, inclusive, elogiou o prefeito, que ligou para parabenizá-lo. “Tenho certeza que não encontrarei nenhuma surpresa desagradável”, afirmou referente às contas públicas.

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