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Fernando Lyra: o 'autêntico' titular da Justiça após a ditadura

Ex-deputado, ex-ministro e ex-senador pernambucano morreu aos 74 anos, em São Paulo

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h01

Memória

Ao fim de 47 dias internado na UTI do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, e já em estado muito grave nos últimos dez dias, morreu ontem "por falência múltipla dos órgãos", por volta de 16h50, o ex-ministro da Justiça, ex-deputado e ex-senador pernambucano Fernando Lyra. Seu quadro clínico já era problemático desde dezembro, em um hospital do Recife - do qual foi transferido para o Incor no dia 5 de janeiro.

Figura de destaque das oposições no período final do regime militar, e depois um crítico impaciente do PMDB durante do governo José Sarney, Lyra tinha 74 anos e sofria, há 20, de um quadro de infecção renal aguda e "descompensação de insuficiência cardíaca congestiva grave".

Tendo abandonado a vida pública nos anos 1990, quando estava filiado ao PDT, ele vivia com a mulher, Márcia, e as três filhas, na praia de Piedade, na Região Metropolitana do Recife. O corpo de Lyra será velado na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a partir de meio-dia de hoje, e seu sepultamento será às 17 horas, na Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife.

Em nota, a presidente Dilma Rousseff, lembrando que ele foi o primeiro ministro da Justiça logo após o fim da ditadura, definiu Lyra como "o responsável pelo fim da censura oficial, passo fundamental na reconquista da liberdade de expressão no País". Para a presidente, a democracia perdeu "um de seus mais expressivos defensores".

Antigo aliado de Lyra nas lutas contra os militares nos anos 1980, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirmou que "nesses tempos de mediocridade no Parlamento e na política em geral, Fernando Lyra fará uma falta muito grande a Pernambuco e ao Brasil". Também o senador Aécio Neves comentou a morte do oposicionista - que, segundo ele, "marcou a vida pública brasileira pela firmeza ética e democrática de suas posições". "Foi um companheiro leal de meu avô Tancredo Neves, sobretudo na luta pela redemocratização do País", lembrou Aécio.

O recifense Fernando Lyra cresceu em Caruaru, no Agreste pernambucano, onde passou a infância e a adolescência. A profissão de advogado ele deixou de lado para se dedicar à política. Ajudou a fundar o antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e nas décadas seguintes passou a ser reconhecido como um representante do "PMDB autêntico".

Lyra foi eleito pela primeira vez em 1966, mas o mandato de deputado estadual por Pernambuco, porém, foi interrompido dois anos depois pela repressão militar. Em 1970 iniciou a série de seis mandatos como deputado federal. Nesse período, participou da anticandidatura de Ulysses Guimarães à Presidência em 1974, engajou-se na luta pelas eleições diretas e, com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, articulou a candidatura de Tancredo Neves - eleito no colégio eleitoral. Acabou virando ministro da Justiça de José Sarney, de março de 1985 a fevereiro de 1986. Mais tarde ele chegou a flertar com o recém-nascido PSDB, mas migrou para PDT de Leonel Brizola, de quem foi vice na primeira eleição direta para presidente, em 1989.

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