Fernando Haddad é eleito prefeito de São Paulo com 55,57% dos votos

Nome imposto ao PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato saiu dos 3% nas pesquisas para conquistar o comando da maior cidade do País vencendo o tucano José Serra

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2012 | 03h04

O professor licenciado de Teoria Política da USP passou em sua primeira prova nas urnas. Nome imposto ao PT pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desconhecido entre os eleitores, Fernando Haddad saiu dos 3% nas pesquisas para os 55,57% dos votos obtidos ontem e será o 61.º prefeito da maior metrópole da América do Sul.

O próprio Haddad ironizou ontem a aposta que foi sua candidatura. "Sou o segundo poste do Lula. Tem alguém candidato a poste aqui?", disse ontem, em celebração na Avenida Paulista.

Para levar o PT de volta à Prefeitura após oito anos, Haddad apresentou-se como "o homem novo para um tempo novo". Prometeu criar o Bilhete Único Mensal e a Rede Hora Certa, construir 55 mil moradias e três hospitais, além de acabar com a taxa da inspeção veicular. Terá um orçamento anual de R$ 42 bilhões para, até 2016, cumprir com a palavra.

Antes, o desafio será conciliar o perfil "técnico" que diz preferir aos anseios de partidos como o PP de Paulo Maluf, que cedeu tempo de propaganda eleitoral, e o PMDB de Gabriel Chalita, que reforçou a campanha do 2.º turno.

Nascido no dia do aniversário de São Paulo há quase 50 anos, fã dos Beatles, dos filmes de Francis Ford Coppola e do cheese salada da lanchonete Joakin's, Haddad será o terceiro prefeito petista de São Paulo. Para o PT, e em especial para Lula, a vitória em São Paulo e a ampliação do número de prefeituras serão usadas como resposta ao julgamento do mensalão. "Estamos de alma lavada", disse Lula a amigos.

Para a oposição, a derrota de José Serra é um golpe maior que os trunfos de Manaus e Salvador contra candidatos do governo federal. O PSDB tem nomes para disputar o Planalto - como o senador mineiro Aécio Neves -, mas precisa se renovar, segundo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2014, a ameaça à reeleição da presidente Dilma Rousseff pode não vir da oposição, mas de siglas aliadas, como o PSB do governador pernambucano Eduardo Campos, que ontem venceu o PT em Fortaleza e Campinas.

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