Feldman relativiza demandas de Marina ao PSDB

Coordenador da campanha da ex-candidata do PSB acredita que vitória será se questões forem debatidas

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 18h29

O deputado licenciado Walter Feldman, que coordenou a campanha presidencial de Marina Silva (PSB), relativizou a questão da quantidade de demandas apresentadas pela ex-ministra para definir um possível apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. "Não tem nenhum sentido acreditar que qualquer partido político, qualquer candidatura que não tenha ido ao segundo turno tem autoridade para fazer o seu programa valer", afirmou.

Feldman reforçou que a Rede - projeto de partido da ex-ministra do qual ele é porta-voz - e Marina não tratam o processo atual como "negociação" mas como apresentação de pontos programáticos. "Se essas questões forem tratadas no segundo turno já será uma vitória para nós", disse.

Os documentos entregues na quinta-feira ao PSDB trazem mais de uma dezenas de temas, entre eles algumas questões polêmicas como manter a demarcação de terras indígenas uma prerrogativa do Executivo - há projeto de lei em trâmite transferindo essa prerrogativa para o Congresso - e a manutenção da idade penal em 18 anos - Aécio já se manifestou na campanha de primeiro turno a favor do projeto de seu vice, Aloysio Nunes, de reduzi-la para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Pessoas próximas a Marina têm dito que a questão da maioridade seria essencial para ela, enquanto interlocutores tucanos indicam que seria um ponto inegociável para Aécio. Feldman, por sua vez, diz que a conversa não se dá nesses termos.

Questionado sobre o motivo da demora de Marina em se posicionar - os partidos que a apoiaram já deram suas posições e a própria Rede já indicou voto nulo ou em Aécio -, Feldman repetiu que Marina aguarda um contato do candidato do PSDB e que o compasso da decisão depende agora dos tucanos. O deputado disse também que é normal Marina se posicionar depois dos partidos. "Ela é a síntese de todo o processo político que revestiu aquele caminho que denominamos de terceira via."

Feldman fez questão de dizer que não há qualquer ansiedade por parte da ex-ministra em receber a resposta sobre os pontos apresentados ao PSDB. "A Marina está muito bem, muito tranquila, muito consciente de seu papel", reforçou. Perguntado sobre a agenda de Aécio em Pernambuco amanhã, terra de Eduardo Campos, Feldman disse que seria um "espaço bastante adequado" para uma manifestação do candidato. O PSB, em especial no Pernambuco, já adotou a campanha de Aécio à Presidência. Amanhã, o candidato do PSDB se encontrará com a viúva de Campos, Renata.

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