Miguel Pessoa / Estadão
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Feira da Barganha tem congestionamento de candidatos em Sorocaba

‘São tantos que há candidato dando santinho para candidato’, diz o vice-presidente da Associação dos Barganheiros, Gerson Ricardo

José Maria Tomazela, Sorocaba

05 de novembro de 2020 | 11h00

SOROCABA – Point obrigatório de políticos em época de eleição, a Feira da Barganha, em Sorocaba, interior de São Paulo, foi palco de um congestionamento de candidatos no último domingo, 1º. Além da candidata a prefeita pelo PSDB, Maria Lúcia Amary, ao menos vinte candidatos a vereador bateram ponto no evento domingueiro considerado um dos maiores do País. Candidata à reeleição, a prefeita, Jaqueline Coutinho, havia agendado a ida ao local, mas cancelou a visita na véspera e deve comparecer no próximo domingo.

A feira onde se troca de tudo, de peças de carro a objetos de arte, atrai de 4 mil a 5 mil pessoas a cada domingo, mesmo funcionando apenas de manhã. Um prato cheio para os candidatos que se esbarram entre as barracas, que também oferecem pastel com caldo-de-cana e outras comidas. “São tantos que há candidato dando santinho para candidato”, diz o vice-presidente da Associação dos Barganheiros, Gerson Ricardo. Para evitar conflitos, a associação passou a exigir que os candidatos a prefeito agendem a visita com antecedência.

 Não é permitido entra no local com bandeiras, em razão do risco de acidente com a fiação elétrica estendida a baixa alura entre as barracas. Ricardo conta que oito dos nove candidatos a prefeito já passaram pelo local. “Os candidatos a vereador não contabilizamos, pois são mais de 500, mas temos dois que são barganheiros”, revela. Um deles, Márcio Cunha do Hospital dos Games, do PSD, troca produtos na feira há 20 anos. Foi dele a ideia de tornar a feira patrimônio cultural de Sorocaba.

 Há 320 barracas fixas no local, segundo a associação. A entidade foi criada em 2002 para organizar o evento, realizado de maneira informal desde 1978. Os associados pagam R$ 13 por domingo pela barraca fixa. Não há cobrança de entrada – o terreno, junto ao Horto Florestal, na zona norte, é da prefeitura – mas estacionar o carro no interior da feira custa R$ 7. Orlando de Barros, de 26 anos, se acostumou com o assédio dos políticos. “Em campanha, ferve de candidato, mas depois da eleição poucos voltam”, disse.  “Trabalhamos com reciclagem e tudo o que aparece de valor, celulares velhos, rádios antigos, ferramentas, a gente negocia”, contou.

O candidato do PSOL, Raul Marcelo, foi duas à feira nesta campanha, mas garante que a frequenta fora do período eleitoral. “Tenho contato com muitos feirantes e venho ouvir as demandas deles.” O médico Dr. Leandro Fonseca, candidato do DEM, esteve no local no início de outubro. “É sempre proveitoso encontrar essa população e ouvir suas demandas para entender como vamos poder melhorar a vida deles”, disse. Desde março, início da pandemia de covid-19, a feira permaneceu fechada até a segunda quinzena de agosto. Desde a reabertura, os frequentadores são obrigados a usar máscara e evitar contato físico.

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