Fazendeiros vivem há 12 anos em clima de tensão

Donos e arrendatários da região vivem na insegurança; para eles, problema é a indecisão do Judiciário e do Planalto

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h05

O desespero e a revolta tomaram conta de produtores rurais do município de Sidrolândia (MS) nos últimos dias. Em meio à indecisão do governo federal e do Judiciário em resolver a posse de 17,3 mil hectares que os terenas reivindicam, pelo menos 12 proprietários e arrendatários vivem aos sobressaltos. Terenas, amparados pela Funai e pelo Ministério Público Federal, conforme determina a Constituição, ocupam áreas, expulsam moradores, queimam sedes e sequestram equipamentos depois que a desocupação judicial terminou em tragédia no dia 30, com a morte do índio Oziel Gabriel.

"Nós vivemos nessa tensão há uns 12 anos. Nos últimos três, piorou muito", disse Rosana Miranda Corrêa, que criava gado na Fazenda Cambará, uma das que foram ocupadas pelos terena três dias após a morte de Gabriel. Alojada em hotel em Sidrolândia e impedida de chegar à propriedade, a família passou a semana tentando retirar cerca de 1.200 cabeças de gado, espalhadas nas terras ocupadas pelos índios, usando uma saída pela Serra da Vassoura.

"Na segunda-feira, eles permitiram que nós tirássemos 180 cabeças", contou Rosana na manhã de quinta-feira. "Agora estamos tentando tirar o restante pelos fundos, como se estivéssemos roubando o que é nosso", protestou. A Cambará é herança da família, que alega ter título de propriedade desde antes da chegada dos terena.

"A produção é de gado especial, com melhoria genética, gado de alto valor", contou um produtor que não quis ser identificado. Segundo Rosana, os índios mataram alguns animais durante a ocupação. / P.P.

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