Fazenda vai investigar ex-chefe da Casa da Moeda

Ministério informou que vai apurar denúncias contra Denucci, demitido por suspeita de receber propina de fornecedores

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h05

O Ministério da Fazenda vai investigar informações a respeito do ex-presidente da Casa da Moeda Luiz Felipe Denucci, depois de reportagem envolvendo o nome do ministro Guido Mantega. Em nota divulgada no final da tarde dessa quinta-feira, 2, a pasta informou que decidiu instaurar uma comissão de sindicância investigativa para apurar denúncias publicadas nos últimos dias.

Denucci foi demitido no último sábado pelo próprio Mantega, por suspeita de receber propina de fornecedores e lavagem de dinheiro. O ex-presidente da Casa da Moeda acusou o PTB de fazer uma campanha difamatória para que deixasse o cargo. Indicado pelo partido, ele perdeu o apoio político em 2010, mas foi mantido no posto.

Reportagem do Estado revelou que a Polícia Federal investiga movimentações financeiras milionárias do ex-presidente da instituição. Outra reportagem, do jornal Folha de S.Paulo, diz que o ministro da Fazenda manteve Denucci no comando da Casa da Moeda mesmo após ser alertado oficialmente, em agosto do ano passado, de que ele era investigado pela Receita e Polícia Federal.

Segundo o jornal, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, soube pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), de possíveis irregularidades no órgão e teria avisado o Ministério da Fazenda. Em resposta, a Casa Civil foi informada de que "estava em curso" a substituição de Denucci, o que, no entanto, veio a acontecer somente cinco meses depois.

O Estado teve acesso a inquérito da Polícia Federal, que relata fluxo suspeito de recursos do exterior para as contas do servidor no Brasil. Segundo o inquérito, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro apurou que um empréstimo de U$ 1 milhão de um banco europeu, informado à Receita Federal por Denucci, foi realizado apenas para dar aparência legal à internação desses recursos.

A procuradoria também cita procedimentos supostamente ilícitos usados para ocultar a variação do seu patrimônio (R$ 60 mil a R$ 699 mil em dois anos). Todas essas informações já estavam sendo analisadas pela Justiça quando Denucci foi nomeado para o cargo, em 2008.

Explicações. Nessa quinta, o presidente do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, disse que o ministro da Fazenda deveria comparecer ao Congresso Nacional para explicar as condições que o levaram a "chancelar" a indicação de Denucci.

Jefferson afirmou que Mantega é o verdadeiro "pai" da escolha. "Ele deveria vir a público e explicar a conduta de seu afilhado, porque ele é o pai da criatura", disse.

O PPS quer convocar o ministro da Fazenda para prestar esclarecimentos na Câmara sobre as denúncias. / EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE e EDUARDO BRESCIANI

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