'Faxina' de Aldo apenas redistribui dirigentes

Novo ministro do Esporte mantêm pelo menos dois dos suspeitos de irregularidades, todos ligados ao PC do B, em postos-chave da pasta

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h02

Duas semanas depois de tomar posse no Esporte, o ministro Aldo Rebelo (PC do B) anunciou ontem os nomes da nova cúpula do ministério.

Apesar da faxina nos principais cargos da pasta, Aldo manteve parte dos antigos ocupantes ligados ao PCdoB no ministério, até mesmo os suspeitos de envolvimento com irregularidades no Esporte. É o caso do ex-secretário executivo, ex-número dois do ministério, Waldemar Manoel Silva de Souza, que será substituído pela economista do Banco Mundial Paula Pini, mas que permanecerá na pasta.

"Ele (Waldemar) vai continuar no Ministério, mas ainda não está definido em qual função", disse ontem Aldo, ao explicar que Waldemar ficará encarregado de transmitir as funções para a futura secretária executiva da pasta. Wldermar foi quem firmou o contrato de R$ 6,2 milhões com um sindicato de cartolas do futebol para um projeto fantasma da Copa de 2014.

Além de Waldemar, o ministro vai manter Ana Prestes no Esporte. Ela deixará a chefia da Assessoria de Relações Internacionais - será substituída pelo embaixador de carreira Carlos Henrique Cardim -, mas será apenas rebaixada de posto. A neta de Luiz Carlos Prestes ficará na subchefia da assessoria.

Dos três substituídos por Aldo, apenas o ex-secretário nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social Wadson Ribeiro deixará a pasta. "Ele vai voltar para Minas Gerais onde tem função partidária", afirmou Aldo. Wadson é suspeito de má gestão de contratos assinados com ONGs em programas sociais. Para o lugar do ex-secretário, Aldo escolheu um militar: o vice-almirante Afonso Barbosa, que deixará a iniciativa privada para ir para o Esporte.

O ministro ainda não definiu se vai mexer em duas importantes secretarias da pasta: a Nacional de Alto Rendimento, hoje ocupada por Ricardo Gonçalves, e a Nacional de Futebol, a cargo de Alcino Reis Rocha, do PC do B. "A priori, esses dois secretários serão mantidos. Mas não me debrucei ainda sobre essas duas secretarias", disse o ministro.

Ao anunciar os novos integrantes do ministério, Aldo Rebelo voltou a criticar as ONGs. "O Estado não deve priorizar a destinação de recursos públicos para ONGs", disse o ministro. "Mas não tenho nenhum espírito de animosidade em relação as organizações não governamentais", reforçou ele.

Segundo o ministro, os contratos em execução com as ONG's serão fiscalizados in loco com a ajuda da Controladoria-Geral da União (CGU). São entre 28 e 29 contratos que estão nessa situação. Já os cerca de 60 contratos assinados pelo ministério com organizações não governamentais, mas que não tiveram liberação de pagamento, serão suspensos e não serão realizados.

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