Favoritos escapam de perguntas polêmicas em debate da CNBB

Aécio Neves protagonizou debate mais acalorado da noite com Luciana Genro, chamando candidata do PSOL de 'linha auxiliar do PT'

IURI PITTA, JOSÉ MARIA MAYRINK, ISADORA PERON, PEDRO VENCESLAU e RICARDO GALHARDO, O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2014 | 00h18

Sorte para uns, providência divina para outros. Nem Dilma Rousseff (PT) nem Marina Silva (PSB) precisaram responder a perguntas sobre questões morais no debate promovido na terça-feira à noite pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP). Entre as principais candidaturas, só Aécio Neves (PSDB) foi sorteado com uma das questões sobre aborto, família, união homoafetiva e Estado laico feitas por bispos e jornalistas da mídia de inspiração católica.

O tucano foi protagonista do embate mais quente do debate não com as adversárias de costume, mas com Luciana Genro (PSOL). Ao comentar as denúncias envolvendo a Petrobrás a pedido do candidato do PSC, Pastor Everaldo, Aécio provocou Dilma dizendo que o caso atual “fez com que o mensalão parecesse coisa pequena”. “Quem não tem condições de administrar nossa maior empresa não tem condições de ser presidente”, disse. 

Último sorteado no bloco de perguntas entre os presidenciáveis, o tucano em seguida foi obrigado a questiornar a candidata do PSOL sobre educação, mas ela preferiu dizer que o adversário e o PSDB tinham tantos problemas de corrupção quanto o PT e o atual governo.

“É o sujo falando do mal lavado”, afirmou Luciana. Na réplica, Aécio disse que a candidata do PSOL atuava como “linha auxiliar do PT”. “Com todo o respeito, linha auxiliar uma ova! Porque o PT aprendeu com o senhor e o seu partido”, rebateu Luciana, citando o mensalão mineiro e a construção do aeroporto de Cláudio (MG), próximo a uma fazenda da família de Aécio.

Tanto o tucano quanto Dilma obtiveram direito de resposta, os primeiros concedidos em debates desta campanha. A presidente disse ter “tolerância zero com a corrupção” e permitir que os escândalos venham à tona porque não nomeia “engavetador-geral da República”. “Fica claro que não é fácil desvendar um sistema daquele tamanho”, afirmou.

Na resposta às críticas da candidata do PSOL, Aécio chamou a adversária de “irrelevante”. “Política é isso. Aquele que se dispõe a ser presidente tem que ouvir impropérios e acusações levianas”, defendeu-se.

Credo. Desde o início do debate, a maioria dos candidatos citou quando possível os laços com a fé católica ou com a doutrina política cristã. Mais de uma vez, Aécio se disse “feliz por estar na casa de Nossa Senhora Aparecida”. Até Luciana Genro, que disse não ter religião ao ser questionada sobre laicidade, citou Plínio de Arruda Sampaio, que era católico. Eduardo Jorge (PV) fez uma saudação a d. Paulo Evaristo Arns.

Nas perguntas feitas por oito bispos, previamente gravadas, Marina foi a primeira sorteada e falou sobre políticas para a juventude. A candidata do PSB estava rouca e, sorteada duas vezes para dialogar com Eymael no quarto bloco, acabou tendo menos protagonismo que seus adversários mais diretos. Marina escolheu a reforma agrária como tema e criticou Dilma por ter feito menos assentamentos que Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso.

Dilma foi sorteada para uma questão sobre desigualdade social e destacou números divulgados nesta terça-feira pela ONU. A presidente citou o Bolsa Família. O tucano falou sobre educação em resposta a d. Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte.

No bloco de perguntas feitas ao vivo por jornalistas, Aécio afirmou ser contra “qualquer tipo de discriminação” ao ser questionado sobre o projeto de lei que criminaliza a homofobia. O tucano tentou se eximir, ao dizer que o poder do presidente no tema “é limitado”, mas disse não concordar com o texto em tramitação, também criticado por entidades religiosas.

Dilma, ao ser sorteada para falar de saúde, e Marina, de saneamento, escaparam de temas como aborto, dirigido a Eduardo Jorge, redução da maioridade penal, defendida pelo Pastor Everaldo, e descriminalização da maconha, rechaçada por Eymael.

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