Favorito ao Senado, Renan também é alvo de investigação

Senador, que deve suceder a José Sarney no comando da Casa, por pouco não foi cassado após escândalo em 2007

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h04

Recolhido em Alagoas, na curiosa condição de praticamente eleito para a Presidência do Senado pelos próximos dois anos sem sequer ter anunciado publicamente sua candidatura, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) responde, até hoje, às mesmas denúncias que o apearam do comando da Casa Legislativa no final de 2007. Desde então as acusações levaram a um inquérito no Supremo Tribunal Federal, no qual Renan teve decretada a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.

Há seis anos, Renan foi obrigado a renunciar ao comando do Congresso para preservar seu mandato parlamentar. Em dezembro de 2007, foi absolvido do processo de cassação em plenário com 48 votos favoráveis, 29 contrários e três abstenções da acusação de ter usado laranjas para comprar rádios e um jornal.

Dois meses antes, ele havia escapado da perda de mandato por ter despesas pessoais pagas por um lobista de uma construtora. Livrou-se numa votação mais apertada: 35 votos a favor da cassação, 40 contra e seis abstenções. Em processos disciplinares, são necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a perda de mandato.

O relator do inquérito, ministro Ricardo Lewandowski, acatou todas as diligências requeridas pelo então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que investigava o parlamentar. O ex-chefe do Ministério Público Federal também pediu todas as declarações de renda e bens do senador a partir de 2000, bem como toda a documentação reunida pelo Conselho de Ética nas seis representações por quebra de decoro que tramitaram contra o senador. O objetivo era investigar a origem do dinheiro pago a título de pensão alimentícia para a filha que Renan teve com a jornalista Mônica Veloso.

Depois de aceitar a quebra do sigilo bancário e fiscal, Lewandowski impôs segredo de Justiça à investigação. Agora o inquérito está parado há quase dois anos - desde abril de 2011 -, aguardando uma posição do atual procurador-geral Roberto Gurgel.

O peemedebista é alvo de mais duas investigações no STF, ambas presididas pela ministra Cármen Lúcia. Na mais antiga, ele é acusado de improbidade administrativa e tráfico de influência, em procedimento sigiloso. Há quatro meses, o inquérito aguarda uma manifestação do procurador-geral. Na mais recente, é acusado de crime ambiental. Por meio de sua assessoria, o senador afirmou que não há elementos nos inquéritos que possam incriminá-lo. / R.B. e A.J.V.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.