'Farei uma auditoria nas contas da Prefeitura', afirma Gabriel Chalita

Candidato do PMDB criticou adversário tucano na disputa José Serra e comparou Gilberto Kassab (PSD) ao ex-prefeito Celso Pitta

GUILHERME WALTENBERG, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h06

Com discurso crítico ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao adversário tucano na disputa eleitoral, José Serra, o candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, defendeu ontem uma devassa nas contas do município, ao participar da série Entrevistas Estadão. A exemplo de sua propaganda, o peemedebista destacou seu bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), fez ressalvas ao Bilhete Único Mensal do petista Fernando Haddad e acusou candidatos, sem citar nomes, de apresentarem "projetinhos midiáticos".

"Faria isso (devassa) não como uma medida de percepção, mas como uma medida de organização e de objetividade. Faria uma auditoria das contas", disse Chalita. O candidato aproveitou o tema para criticar Serra - ao assumir a Prefeitura em 2005, o tucano revisou contratos da gestão Marta Suplicy (2001-2004) e disse que a antecessora do PT não havia deixado dinheiro suficiente em caixa para pagar credores do município.

"Serra foi incorreto com a Marta, quis destruir a imagem dela", afirmou. "Ele (Serra) suspendeu pagamentos. Eu não quero chegar e descumprir os contratos."

Nessa linha, Chalita não pregou o fim da inspeção veicular, embora já tenha feito críticas ao serviço nos últimos meses. Ontem, o peemedebista disse não ser correto exigir que carros novos passem pela fiscalização e que deveria ser feito um estudo técnico para determinar a partir de quantos anos de uso um veículo deve ser inspecionado.

Em uma das críticas mais duras a Kassab, Chalita comparou o atual prefeito a Celso Pitta (1997-2000). "Nem o (ex-prefeito Paulo) Maluf teve os bens bloqueados", afirmou, referindo-se a uma liminar da Justiça contra Kassab, posteriormente revogada. O candidato disse ter uma "relação fantástica" com Alckmin e comemorou a cassação da liminar que o impedia de usar imagens de Dilma na TV. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Trânsito. Chalita afirmou ser capaz de aproximar Dilma e Alckmin para ampliar a rede do metrô em São Paulo. "O que vamos fazer é ajudar o governo do Estado e trazer o federal para o metrô", disse. Na sua opinião, mais do que dinheiro, a Prefeitura deveria acelerar a aprovação das obras do sistema e criticou a falta de apoio federal nos projetos. "Eles estão pondo dinheiro no metrô no Brasil inteiro e em São Paulo não."

O peemedebista disse ser contrário ao pedágio urbano e propôs um sistema de ônibus na zona leste que contaria com semáforo inteligente e itinerários de longa distância. "Os ônibus farão um percurso direto até seu destino, sem parar."

Haddad. Chalita também alfinetou o adversário petista, ao dizer que a proposta de Bilhete Único Mensal "confunde o usuário". Haddad quer adotar um pagamento mensal que permitiria ao passageiro fazer quantas viagens quisesse no período.

"Ela não mexe na estrutura do transporte", disse. "Não é uma proposta consistente para melhorar o sistema, transforma o caos (do transporte público) num caos um pouco maior. Não me parece uma proposta de melhoria."

Professores. Ex-secretário estadual de Educação, Chalita defendeu aumentos para os professores, mas não citou valores. "Professor ganhava o que ganha um juiz. Esse seria o ideal", disse, avisando que não se tratava de uma promessa. O candidato a vice de Serra, o ex-secretário de Educação Alexandre Schneider (PSD), também foi criticado. "Não foi uma gestão boa. Das quatro capitais do Sudeste, São Paulo foi a única a não atingir as metas do Ideb."

Ponte aérea. O peemedebista elogiou seu correligionário do Rio, o prefeito Eduardo Paes. Além de citar que a rede de monitoramento de vias públicas do Rio é maior que a de São Paulo, disse que o projeto Porto Maravilha, na região portuária da capital fluminense, é uma inspiração para recuperar o centro paulistano. "Faria o mesmo projeto para o centro. Criaria uma unidade gestora. É um órgão de gestão."

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