Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Família Campos quer Joaquim Barbosa na centro-esquerda

Renata e João Campos, viúva e filho do ex-governador, apoiam nome de ex-ministro do Supremo, apontado como presidenciável pela sigla

Pedro Venceslau, enviado especial a Recife, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2018 | 05h00

RECIFE - A família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em 2014 em um acidente aéreo, não se opõe a uma eventual candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa pelo PSB ao Palácio do Planalto. Há, contudo, uma condição: que Barbosa entre na disputa com uma plataforma de centro-esquerda.

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Esse posicionamento foi apresentado pela primeira vez ontem em Recife pelo herdeiro político do ex-governador, o engenheiro João Campos, filho mais velho de Eduardo. "Não há veto de forma alguma do PSB de Pernambuco à candidatura (de Barbosa). Mas conversamos com diversas frentes de esquerda. Qualquer aliança nacional deve ser alinhada com as diretrizes que defendemos", disse João Campos. "Se ele (Barbosa) se enquadrar nisso, o PSB pode apoiá-lo". 

A declaração foi comemorada como uma vitória política pelos deputados do PSB que estão na linha de frente do projeto Barbosa. "O João e a Renata (viúva de Eduardo Campos) representam muito no PSB. O peso deles é enorme no partido. Ficamos muito satisfeitos com o posicionamento", disse o líder do PSB na Câmara, Julio Delgado (MG).

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Aos 24 anos, João Campos integra as executivas nacional e estadual do PSB e vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Ao chegar ao 17° Fórum Empresarial do Lide, que reuniu presidenciáveis, ministros e parlamentares de centro-direita na capital pernambucana, João Campos foi cercado por convidados, jornalistas e também 'curiosos'.

"João tem um futuro muito promissor. A Renata não participa ativamente das discussões políticas, mas é sempre importante ouvi-la", afirmou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que até recentemente tinha João como seu chefe de gabinete.

Lideranças do PSB dizem, porém, que Renata Campos se mantém longe dos holofotes, mas atua intensamente nos bastidores do partido. Teria sido dela, por exemplo, a indicação do primo, Maurício Rands, para ocupar a vaga de vice na chapa de Câmara, que vai disputar a reeleição ao governo.

"Nós colocamos João na executiva nacional do PSB. A família é muito tradicional, desde o bisavô (Miguel Arraes). São todos muito politizados. A casa deles era de um local de encontro de agentes políticos. A posição de João tem muito simbolismo. Ele vai ser um continuador da tradição política da família", disse Carlos Siqueira, presidente do PSB. "Renata e eu nos falamos muito. Gosto de ouvir as opiniões dela. Ela é muito atuante como militante. Gostaria de vê-la na executiva", completou. 

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Câmara e João Campos se mostraram afinados sobre uma possível candidatura de Barbosa. O governador revelou aos jornalistas que esteve com o ex-ministro do STF na terça-feira em Recife em uma agenda privada. Câmara afirmou que não há veto da parte dele nem do PSB pernambucano, mas pontuou que as conversas estão apenas começando.

"Não há nem pré-candidatura ainda. Pode vir a ser, mas depende de muita discussão. O ministro quer conhecer as pessoas e os programas do PSB. Precisamos conversar mais e ele participar mais das reuniões do partido", disse Câmara.

O governador tenta atrair para seu palanque a ala "dissidente" da família: a vereadora Marília Arraes, prima de Eduardo Campos e pré-candidata ao governo pelo PT. Essa aproximação com os petistas é o único obstáculo para o PSB pernambucano embarcar na tese de lançar Barbosa. A situação jurídica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato, torna o cenário incerto.

Em 2014, o PSB lançou Eduardo Campos ao Planalto. O ex-governador morreu em acidente aéreo em agosto, a cerca de um mês da eleição. O partido lançou Marina Silva, então vice de Campos, à Presidência.

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