Falta marca econômica ao governo, diz consultor

Analistas preveem uma 'eleição difícil', mas lembram que taxa de emprego está alta e inflação, 'sob controle'

João Domingos - O Estado de S. Paulo,

16 de fevereiro de 2014 | 02h08

BRASÍLIA - Economistas ouvidos pelo Estado disseram que a crise econômica não pode ser considerada ainda um fator de risco para a reeleição da presidente, embora prevejam uma eleição difícil, a ser decidida no segundo turno.

Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, "mesmo com a queda no dinamismo da economia, há geração de emprego e não há descontrole da inflação". Em compensação, segundo ele, não dá para dizer que a reeleição de Dilma está garantida no primeiro turno. "Os últimos números da pesquisa do Ibope sobre a confiança no governo são de 43%, o que não garante a maioria absoluta." Para ele, falta a Dilma uma marca que a identifique com o eleitor nas iniciativas econômicas.

"Fernando Henrique representou a estabilidade interna e o controle da inflação. Lula, a redução da desigualdade social e o aumento do emprego e renda. Dilma só pode falar que é a continuidade. O controle da inflação e o aumento do emprego são heranças, uma de Fernando Henrique, mantida por Lula, e outra do próprio Lula."

A mesma linha de raciocínio é adotada pelo economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. "Acho que o impacto eleitoral tende a diminuir, porque o desemprego é baixo". Ele lembrou que uma parte considerável da sociedade brasileira voltou às escolas, ou graças ao ProUni, criado durante o governo Lula e que concede bolsas de estudos a alunos oriundos do ensino público, ou pelas escolas técnicas. "Houve aumento real da renda. Os ganhos para a população foram reais. Isso é um fato."

Para Perfeito, no entanto, o PT errou na estratégia econômica e isso pode prejudicar o partido e seus candidatos. "O PT incentivou os empresários a investir e isso não se concretizou. Jogaram o juro para baixo para obrigar o empresário a usar o dinheiro em investimentos. Isso fez com que outras taxas acompanhassem o juro e também caíssem, a exemplo do aluguel", prossegue o economista.

Ele acrescenta que em 2008 o preço do aluguel correspondia a 0,77% do valor do imóvel e hoje está em 0,45%. "Essa é a demonstração de que as taxas caíram. Mas o empresário não fez o que o PT esperava, que era investir,"

Desconfianças. Perfeito ressalta que quando Dilma fala de guerra psicológica "está dizendo que baixou os juros e os empresários não investiram". Mas a presidente "não percebe que provocou uma mudança abrupta demais, que assustou o capital. Aí, todos perguntam: por que um País como o Brasil não consegue dar o grande passo? Não dá porque o governo assustou o capital."

Em sua avaliação, ela "baixou os juros esperando que os investimentos viessem, mas eles não vieram porque a forma como ela fez tudo foi muito rápido e causou desconfianças".

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