Falta de interlocução da presidente reduz apoio parlamentar

Análise

Marco Antonio Carvalho Teixeira e Fernando Luiz Abrucio*, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2014 | 02h05

Os dados disponíveis no Basômetro demonstram que a presidente Dilma Rousseff tem enfrentado maiores dificuldades na articulação de interesses do governo junto ao Congresso, especialmente na Câmara, em comparação aos governos FHC e Lula. Alguns de seus aliados atribuem tal problema ao fato de a presidente fazer pouca interlocução política.

É claro que não se pode colocar na conta do Executivo todas as derrotas ocorridas no Congresso. Porém não há como negar que uma articulação política mais azeitada ajuda a aumentar a fidelidade entre os partidos governistas. Após as manifestações de junho, que acabaram provocando enorme desgaste para o governo, a presidente mudou sua postura e acabou assumindo pessoalmente a retomada da articulação política. Visitou o Congresso, recebeu líderes partidários e negociou projetos de interesse dos parlamentares. Isso resultou na ampliação da taxa média de apoio na Câmara, que subiu de 73% no primeiro semestre de 2013 para 81% no segundo. Mesmo assim, o governo sofreu derrotas importantes.

No fundo, o sucesso do governismo depende da combinação entre capacidade de articulação política e características da agenda congressual. Vale lembrar que o Executivo também é importante no segundo aspecto: o presidente tem de atuar para influenciar a pauta do Legislativo, construindo uma lista de temas prioritários. FHC e Lula fizeram isso com maior maestria do que Dilma. Essa é uma diferença que precisa ser ressaltada.

*Marco Antonio Carvalho Teixeira e Fernando Luiz Abrucio são cientistas políticos e professores da FGV-SP.

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