Falta de coerência partidária, a grande marca das alianças

ANÁLISE: João Domingos e Eduardo Bresciani

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2013 | 02h05

Alianças informais apelidadas Dilmar, Dilmicha, Delcécio ou Casadilma evidenciam a falta de coerência partidária no País, em que duas legendas adversárias, como PT e PSDB, se unem por interesses meramente locais, sem qualquer conteúdo programático. Tais coligações têm a marca de puro oportunismo eleitoral: o partido em melhor situação em determinado momento serve de imã para os outros.

Em 2010, ano da última eleição para presidente, governador, senador e deputado federal, em dez dos 27 Estados - Acre, Amazonas, Amapá, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Rondônia e Roraima - PT e PMDB concorreram separados. E a chapa para presidente e vice, com Dilma Rousseff e Michel Temer, havia sido aprovada pelos dois partidos, em convenção. PSDB e DEM, que formaram a principal chapa de oposição, ficaram separados em cinco Estados.

A incoerência é tão flagrante que alguns partidos, como o PT, aprovaram em congresso a proibição de alianças com os adversários tradicionais. Por conta do veto, o PSDB de Aécio Neves e o PT de Fernando Pimentel fizeram em 2008 coligação por baixo do pano em Belo Horizonte para eleger o prefeito Márcio Lacerda, do PSB. O adversário a ser batido era o PMDB. O gigantismo da base de Dilma contribui para essa incoerência. Partidos passam a ocupar ministérios. Uma explicação do líder do PTB, Jovair Arantes, se encaixa bem na confusão partidária: "Não há mais como ter uma relação sectária, de amigo e inimigo. Com radicalismo não se faz uma boa gestão".

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