JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h04

A reforma ministerial que vai acomodar o PSD no governo não sai antes da eleição para Mesa Diretora na Câmara e no Senado. Até lá, a presidente Dilma Rousseff vai testar a fidelidade da base aliada, inclusive a informal, e também o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), candidato à presidência da Casa. O Planalto quer ver aprovadas, até o final do ano, as dez medidas provisórias em tramitação nas duas Casas. As prioridades são a MP 579, que renova as concessões no setor elétrico, e o projeto de criação do Ministério das Micro e Pequenas Empresas.

Nome forte

O deputado José de Filippi (PT-SP) circula como nome com lugar certo no secretariado de Fernando Haddad. Com fama de discreto e bom gestor, foi prefeito de Diadema, é muito ligado a Lula e foi tesoureiro da campanha de Dilma. Acusado pelo ex-diretor do Dnit, Luiz Pagot, de pedir recursos a empreiteiras para a campanha de Dilma, escapou da CPI do Cachoeira, que o ouviria em troca do depoimento do ex-diretor da Dersa, Paulo Preto.Menos poder

O PDT escalou o deputado Miro Teixeira (RJ) para elaborar uma proposta de emenda constitucional que modifique o artigo 62 da Constituição, a fim de reduzir o poder de fogo do presidente da República na edição das medidas provisórias. A ideia é rever os conceitos de "relevância e urgência", impondo critérios mais objetivos. O PDT quer o compromisso do futuro presidente da Casa de que vai pautar a matéria. "Agora é a presidente Dilma (Rousseff), mas não sabemos quem vem por aí", alerta Teixeira, para o excesso de poderes do presidente.

Banho-maria

A presidente Dilma Rousseff receberá brevemente o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), para aparar arestas deixadas pelas eleições. Ainda estremecido com Lula, o governador quer manter em banho-maria a parceria com o governo.

Não saiu barato para o PT o desgaste gerado pelo julgamento do mensalão nas eleições recém-encerradas. Porém, o estrago foi menor do que temia o partido, provavelmente pela maior influência, nas eleições municipais, dos fatores paroquiais que levam o eleitorado a escolhas mais centradas nas gestões administrativas.

Na verdade, o protesto contra a simultaneidade de julgamento e disputa eleitoral teve o objetivo de funcionar como antídoto nas campanhas, criando clima artificial de injustiça contra o partido, por forças reacionárias desestabilizadoras.

Mera estratégia preventiva que, ao lado da tese da renovação, funcionou em São Paulo muito mais pelo desgaste do PSDB e de seu candidato José Serra, do que pelos méritos de Fernando Haddad - o botox aplicado por Lula à face enrugada do partido.

Valorizar a vitória em São Paulo, minimizando as derrotas em capitais estratégicas que fortaleceram adversários e promoveram aliados a rivais, é parte do jogo para a plateia, que teve lá sua serventia eleitoral. Mas não poupa o partido da necessidade de redefinir seus rumos, a partir da revisão de critérios que substituíram ideologia por fisiologismo após a chegada ao poder.

Ao contrário do que prega seu líder na Câmara, Jilmar Tatto (SP), padre de ocasião, o PT não pagou os seus pecados com o resultado do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

A presente etapa da aplicação das penas e, mais ainda, a execução de prisões, entrará por 2013 e manterá o mensalão na pauta eleitoral de 2014 com potencial destrutivo muito maior.

Condenado judicialmente, falta ao PT a penitência política, à qual resiste.

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